Caracas acusa Colômbia, Chile e EUA de tentativa de golpe de Estado

26 Jun 2019 / 21:11 H.

O Governo venezuelano acusou hoje os Presidentes da Colômbia, Iván Duque, e do Chile, Sebastián Piñera, de em conjunto com os Estados Unidos, estarem envolvidos numa nova tentativa de golpe de Estado contra o Presidente Nicolás Maduro.

A denúncia foi feita pelo vice-presidente venezuelano de Comunicação, Cultura e Turismo, Jorge Rodríguez, durante uma conferência de imprensa no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas.

“O que não sabia Duque, o que não sabia Piñera, o que não sabia Guaidó (Juan, presidente do parlamento) é que há 14 meses que os serviços de informações estavam a seguir todas as operações”, disse.

Jorge Rodríguez apresentou um cronograma do que disse serem vários planos de golpes militares, distúrbios e ações terroristas que teriam sido programadas para os dias 23 e 24 de junho e que teriam sido financiadas a partir do estrangeiro.

O dirigente venezuelano acrescentou que os serviços secretos venezuelanos têm mais de 56 horas de vídeos e precisou que esta nova tentativa de golpe de Estado tinha como propósito libertar o general venezuelano e ex-ministro da Defesa, Raul Isaías Baduel e levá-lo até à sede do canal estatal Venezuelana de Televisão onde se autoproclamaria Presidente da República.

O ministro divulgou um vídeo de um primeiro-tenente venezuelano, Carlos Eduardo Lozada Saavedra, confirmando as intenções dos golpistas, entre os quais estariam militares reformados, que teriam recebido dinheiro e o visto norte-americano, a troco de informações.

Entre os alvos do golpe de Estado estariam ainda o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello (tido como o segundo homem mais forte do chavismo) e Freddy Bernal (polícia e político venezuelano).

Na madrugada de 30 de abril, um grupo de militares manifestou apoio a Juan Guaidó, que pediu à população para sair à rua e exigir uma mudança de regime.

Mais de 230 pessoas foram detidas e acusadas de conspiração e vários deputados da Assembleia Nacional (parlamento) viram levantada a sua imunidade parlamentar.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o presidente do parlamento o opositor Juan Guaidó, jurou assumir as funções de Presidente interino e prometeu formar um Governo de transição e organizar eleições livres.

Guaidó, de 35 anos, contou de imediato com o apoio de mais de 50 países, incluindo os EUA e a maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, que o reconheceram como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

À crise política na Venezuela soma-se uma grave crise económica e social, que já levou mais de 3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, de acordo com dados da ONU.

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