Balcãs Ocidentais discutem mercado comum regional depois de recusa da UE

10 Nov 2019 / 16:31 H.

Os líderes de três países dos Balcãs ocidentais discutiram hoje medidas concretas para avançar para um mercado comum regional, depois de a União Europeia (UE) ter recusado abrir negociações de adesão com a Macedónia do Norte e a Albânia.

A reunião, que ocorreu hoje em Ohrid, no sul da Macedónia do Norte, foi o segundo encontro entre o primeiro-ministro albanês Edi Rama, o seu homólogo norte-macedónio Zoran Zaev e o Presidente da Sérvia Aleksandar Vucic.

A iniciativa é destinada a promover um reagrupamento dos países daquela região, e a instaurar até 2021 a livre circulação de bens e de pessoas, depois de a UE ter decidido em Outubro, por ‘bloqueio’ da França, fechar, para já, a porta das negociações de adesão à Macedónia do Norte e à Albânia.

“Não devemos ter medo da nossa própria sombra e de fazer alguma coisa por nós”, disse o Presidente sérvio, citado pela agência noticiosa France Presse, acrescentando que os países da região não inventaram “nada de melhor desde há 30 anos”, altura em que começou a desagregação da Jugoslávia.

Aleksandar Vucic disse que todos os países da região “querem fazer parte da UE”, mas que tal desiderato “depende deles [UE]”.

A presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu na sexta-feira que a União Europeia deve aprofundar os laços com os países dos Balcãs Ocidentais, pois se não o fizer “outros aproveitarão esse vazio”, algo que não é do interesse estratégico europeu.

A Bósnia-Herzegovina e Montenegro enviaram representantes à cimeira de hoje, o mesmo não acontecendo com o Kosovo, ex-província sérvia cuja população é maioritariamente composta por albaneses, que foi também convidado para a iniciativa mas esteve ausente.

“A visão do Kosovo é a sua adesão à UE e à NATO”, e não uma “iniciativa regional” que “não tem sentido, já que a Sérvia e a Bósnia não reconhecem a sua independência”, disse, na rede social Twitter, o Presidente kosovar Hashim Thaçi.

A questão do Kosovo, a quem Belgrado recusa reconhecer a independência declarada unilateralmente em 2008, e que é reconhecida pela maior parte dos países ocidentais, permanece o assunto mais sensível da região.

Apesar de afinidades históricas, o primeiro-ministro albanês Edi Rama criticou a posição kosovar, afirmando que “é também do interesse do Kosovo, dos seus cidadãos e do mercado que a fronteira entre o Kosovo e a Sérvia seja suprimida”.

Entretanto, Belgrado, Tirana e Skopje concordaram com o princípio de uma única licença de trabalho que permitiria aos seus cidadãos trabalhar de forma indiferenciada nos três países, e também na possibilidade de circularem munidos apenas de um cartão de identidade.

Os três países decidiram também facilitar os procedimentos alfandegários e controlos fitossanitários nas fronteiras, para acelerar a passagem de camiões.

A criação de um “mini espaço Schengen” foi também discutida, com vista a facilitar o livre trânsito dos visitantes estrangeiros entre os três países.

A próxima reunião está marcada para 21 de Dezembro em Durrës, cidade portuária albanesa.

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