Acordo sobre União Bancária deve evitar nova crise na União Europeia

13 Nov 2019 / 04:12 H.

O director do Mecanismo Europeu de Estabilidade defendeu ontem que um acordo para a conclusão da União Bancária, que possibilitará a total integração financeira europeia, deve acautelar uma nova crise, esperando um consenso entre os estados-membros em Dezembro.

“Temos de garantir que não temos uma nova crise e que a política monetária se torna mais atractiva para o investimento internacional, ao mesmo tempo que o euro se torna mais forte”, afirmou o director do ESM (sigla em inglês de European Stability Mechanism).

Falando num encontro com jornalistas correspondentes em Bruxelas na sede do ESM, no Luxemburgo, Klaus Regling vincou ser necessário “completar a União Bancária e a União dos Mercados de Capitais”, e admitiu esperar que, já em dezembro, o Eurogrupo consiga “chegar a acordo sobre uma linha temporal” para as medidas a adoptar a partir de 2020.

“Ainda estamos numa fase inicial [da discussão], mas foi interessante ver a dinâmica na última reunião do Eurogrupo. A atmosfera tornou-se muito mais produtiva e positiva e agora todos estão disponíveis para um debate sério”, vincou o director do ESM, aludindo à proposta apresentada na semana passada pelo ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz.

Falando sobre o documento alemão, Klaus Regling classificou-o como uma “proposta política”, mas que ainda assim é “compatível” com a apresentada pelo ESM.

“Há muitos elementos semelhantes [entre as propostas] e tende a haver um alinhamento em alguns elementos que têm estado em discussão. Primeiro, foca-se na redução do risco através da diminuição dos NPL [’non-performing loans’, o crédito malparado] nos bancos e ataca alguns problemas”, precisou o responsável.

Acresce que a proposta alemã “introduz a criação de uma garantia de depósitos, apontando quando isso deve ser feito e qual o sistema que deve ser usado para tal”, acrescentou.

Prevê-se que este sistema europeu de garantia de depósitos sirva de cobertura complementar aos sistemas de garantia constituídos a nível nacional, permitindo assim aos governos da zona euro respeitarem a obrigação legal de proteger depósitos até 100 mil euros em caso de falência de um banco.

“Ambas as propostas surgem como um pacote [...] e defendem uma abordagem comum, que é como temos progredido na Europa”, salientou Klaus Regling.

Porém, segundo este responsável, “falta uma salvaguarda de activos” na proposta alemã, de forma a garantir uma “estabilização macroeconómica”.

Caberá aos ministros das Finanças discutir estas questões na próxima reunião do Eurogrupo, de forma a chegarem a um consenso.

“Percorremos um longo caminho e a União Económica e Monetária é hoje mais forte do que há 10 anos, pelo que temos de perceber o que falta para acabar esse processo” de integração financeira europeia, adiantou Klaus Regling.

Questionado sobre a possibilidade de uma nova crise financeira, o responsável disse que o ESM se “esforça muito para não ter de voltar a utilizar os seus instrumentos”, como aconteceu em programas de assistência a países como Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha e Chipre.

Porém, “se isso acontecer, se houver uma nova crise, temos de estar totalmente preparados”.

Sobre a ajuda já prestada àqueles países, Klaus Regling destacou que o ESM é “o maior credor destes países, nomeadamente do sector público”, pelo que “segue de forma muito próxima” as suas políticas económicas e financeiras.

E avisou: “Somos um credor paciente, mas queremos ser ressarcidos”.

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