Madeira avança com projecto de 2,3 milhões de euros para criar Museu do Romantismo

21 Jul 2019 / 09:42 H.

O Museu do Romantismo, um projeto do Governo da Madeira orçado em 2,3 milhões de euros, que inclui a recuperação de uma quinta do século XVIII, vai avançar “em breve”, indicou a secretária do Turismo e Cultura, Paula Cabaço.

“O projeto está concluído, em fase de revisão, e a empreitada será lançada em breve, o mais breve possível, mas será uma obra para durar entre um ano e meio a dois anos”, disse a responsável, em entrevista à agência Lusa, sublinhando que este projeto implica um trabalho de “grande rigor científico e técnico”.

O Museu do Romantismo ficará instalado na Quinta do Monte, localizada nesta freguesia dos arredores do Funchal, também designada Quinta do Imperador, numa referência a Carlos de Áustria, último imperador austro-húngaro, que ali viveu exilado com a família entre 1921 e 1922, onde faleceu.

“O objetivo do Museu do Romantismo é criar uma nova oferta cultural, descentralizada e diferenciada, na medida em que aquilo que se procura é recuperar integralmente a casa e recriar o ambiente das quintas da Madeira”, explicou Paula Cabaço.

A Quinta do Monte, cujas primeiras referências remontam a 1784, é composta por um edifício com capela, lago, parque, jardins e torre Malakof, ocupando uma área de 4,5 hectares.

“Não posso dar detalhes, porque o projeto de museologia ainda não foi concebido, mas pretende-se que este museu tenha uma programação cultural alusiva ao período do romantismo”, disse Paula Cabaço, sublinhando a importância dessa época no incremento e dinamização do turismo na Madeira.

O imóvel foi adquirido pelo Governo Regional na década de 80 do século XX e em 2004 abriu ao público, ainda com a casa principal por recuperar, mas com toda a parte exterior visitável, onde se destaca a vegetação exuberante, com a presença de 96 famílias botânicas.

A secretária do Turismo e Cultura sublinhou que o projeto do Museu do Romantismo é também um exemplo da aposta do executivo na recuperação de património, onde se inclui, ao longo do atual mandato (2015-2019), a conservação e restauro dos tetos Mudéjares da Sé do Funchal e a reabilitação e restauro do Convento de Santa Clara (edifício do século XV).

No mesmo grupo de investimentos, todos cofinanciados pela União Europeia, contam-se os museus de Fotografia e de Arqueologia da Madeira, a recuperação das capelas laterais da igreja matriz de Machico (zona leste da ilha) e a reabilitação do Solar do Aposento, um edifício do século XIX localizado na freguesia de Ponta Delgada, na costa norte.

“Posso salientar que cerca de 70% do orçamento anual da Direção Regional de Cultura [cerca de 7 milhões de euros] tem sido dedicado ao património”, vincou.

Museu de Fotografia da Madeira reabre no Funchal após investimento de 1,7 milhões de euros

O Museu de Fotografia da Madeira - Atelier Vicente’s, o único do país inteiramente dedicado à fotografia, reabre a 29 de julho, após cinco anos de encerramento e trabalhos no valor de 1,7 milhões de euros, indicou o executivo regional.

“Estamos a falar de uma casa de fotografia oitocentista, a mais antiga do país, que passou por quatro gerações da mesma família, portanto estamos a falar de um património que diz muito aos madeirenses, fez parte do quotidiano e da vivência da Madeira”, disse, em entrevista à agência Lusa, a secretária do Turismo e Cultura, Paula Cabaço.

O Atelier Vicente’s, agora renomeado Museu de Fotografia da Madeira, foi fundado em 1863 por Vicente Gomes da Silva e manteve-se operacional até 1978, ano em que o edifício, no centro do Funchal, e o espólio, com mais de 1,5 milhões de negativos, foram adquiridos pelo Governo Regional da Madeira.

Em 1866, três anos após a abertura da casa, Vicente Gomes da Silva recebeu o título de fotógrafo da Imperatriz Elisabeth (Sissi) da Áustria e, em 1903, o de fotógrafo da Casa Real Portuguesa, o que contribuiu ainda mais para a sua importância, tornando-se num dos estúdios mais bem apetrechados do século XIX.

O espaço abriu ao público em 1982 como museu e em 2014 encerrou para obras, tendo o executivo investido 1,2 milhões de euros na reabilitação do prédio e 500 mil euros, com comparticipação comunitária de 85%, no restauro e salvaguarda do acervo.

“Queremos ir mais além neste espaço museológico, queremos que o Museu de Fotografia - Atelier Vicente’s seja uma referência ao nível nacional e queremos que possa projetar a Madeira internacionalmente nesta área”, afirmou Paula Cabaço.

O espaço reabre com uma exposição temporária, patente até outubro, intitulada “Tesouros da Fotografia Portuguesa do século XIX”, mantendo, por outro lado, uma exposição permanente representativa dos vários autores incluídos no acervo, onde consta o espólio de praticamente todas as grandes casas madeirenses de fotografia dos séculos XIX e XX.

A secretária do Turismo e Cultura destacou o investimento feito na “reconstituição fiel” do estúdio, nomeadamente ao nível do mobiliário, adereços, material de laboratório e máquinas fotográficas, indicando que os visitantes terão até a possibilidade de ser fotografados com cenários da época.

Paula Cabaço explicou que a reconstituição do atelier inclui também uma apresentação da história dos processos fotográficos, do daguerreótipo às primeiras fotografias a cores, passando pelos dispositivos de lanterna mágica e pela estereoscopia (fotografia a três dimensões).

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