Histórica ‘Viagem 1200’ é assinalada este domingo com missa na Sé do Funchal pelas 11 horas

Encontro que hoje assinalou 75 anos da partida da maior vaga da emigração juntou duas dezenas de descendentes. O Coronel Capelão António Simões foi um dos presentes

16 Mar 2019 / 18:35 H.

Cerca de duas dezenas de descendentes de emigrantes envolvidos na histórica ‘Viagem 1200’ que zarpou do Funchal a 16 de Março de 1944 reuniram-se hoje na Praça do Mar para assinalar o 75º aniversário da partida da maior vaga alguma vez realizada pela emigração madeirense. Também presente, o Coronel Capelão António Francisco Gonçalves Simões decidiu associar-se e homenagear este domingo os milhares de emigrantes madeirenses. Será na missa das 11 horas a ser celebrada na Sé Catedral do Funchal, cerimónia que servirá também para assinalar a histórica data que começa a emergir como uma das mais marcantes da diáspora madeirense.

Hoje a data foi assinalada na Praça do Mar, juntando cerca de duas dezenas de pessoas com ligação aos emigrantes das duas grandes viagens para o Curaçau. Um encontro promovido por Luís Drumond, filho de um dos 1206 emigrantes que deixaram a ilha nesse 16 de Março de 1944.

“Foram partilhadas histórias e elementos documentais e físicos da viagem 1200 e de outra seguinte com 711 emigrantes, ambas para o Curaçau”, começa por destacar Luís Drumond, adiantando que “foi estruturado um modo de coordenação deste propósito e da recolha de dados e pesquisa”, além de ter ficado o repto “para registar esta história única da emigração da Madeira”, que entre os presentes, contou com uma descendente nascida no Curaçau que se fez acompanhar da bandeira daquele território insular. “Foi muito positiva, emotiva, curiosa e gratificante, sendo um ponto de partida para a descoberta deste marco histórico e único da emigração da Madeira”, considera.

Entre os que compareceram à chamada, registe-se a presença dos deputados Sérgio Marques e Adolfo Brazão, mas sobretudo de dois filhos de cada um dos médicos das duas grandes viagens - Jardim Azevedo (médico da ‘Viagem 1200’) e Tito Noronha – assim como Coronel Capelão António Simões, também filho de emigrante no Curaçau, e ainda de Gonçalo Nuno dos Santos, antigo director das Comunidades.

Deste encontro Luís Drumond destaca alguns reptos deixados pelos participantes. “Aprofundar esta história e registar em livro a publicar com os contributos que sejam recolhidos” e “a criação de um marco físico (placa, escultura, etc.) junto ao Porto a assinalar esta viagem emblemática dos 1200”. Outra ideia lançada foi a de num outro encontro procurar “rever os filmes em exibição à data no Cine Parque e que foram vistos pelos emigrantes”, tendo sido identificados os filmes em causa: Proezas do Lobo Solitário, Sorte Grande, A máscara de fogo e Paraíso perdido.

Outra grande expectativa é saber se ainda haverá algum emigrante dessas viagens de 1944 vivo, sendo certo que a acontecer, já terá pelo menos 94 anos, tendo em conta que um dos requisitos obrigatórios para embarcar nessa altura era ter pelo menos 18 anos.