Câmara de Santa Cruz acusa TVI de “desonestidade, carácter vil e encomenda premeditada”

20 Set 2019 / 14:13 H.

A Câmara Municipal de Santa Cruz (CMSC) repudia a reportagem da TVI sobre a contratação de serviços de auditoria às contas da autarquia depois da posse de Filipe Sousa, eleito pelo JPP em 2013, condenando a “desonestidade, o carácter vil e a encomenda premeditada que ditaram e orientaram a peça transmitida” pela televisão.

Na nota de imprensa enviada às redacções, o Gabinete da Presidência repudia “o timing da mesma, e a forma desonesta e pouco ética que orientou um trabalho que não honra o jornalismo, a verdade, nem a ética que devia orientar qualquer acto humano, no qual se inclui a informação e a política”.

Em causa está uma entrevista em que a TVI insiste nas ligações familiares existentes entre o JPP e um sócio da empresa contratada por ajuste directo pela autarquia para auditar as contas municipais, no primeiro mandato de Filipe Sousa, quando o autarca, eleito pelo JPP, herdou uma câmara com sérias dificuldades financeiras e onde detectou uma série de irregularidades passíveis de serem investigadas pelas instâncias judiciárias.

“Neste caso, falharam todos, na medida em que se fez notícia de um contrato absolutamente transparente, aprovado em reunião de câmara, e que trouxe amplos benefícios para o concelho de Santa Cruz”, sublinha o Gabinete do Presidente Filipe Sousa. Além disso, acrescenta, “fez-se notícia de um recurso perfeitamente legal, praticado por todas as câmaras e por todos os governos”, lamenta.

A CMSC lamenta que tudo tenha sido feito agora, em vésperas de eleições regionais, onde o JPP concorre, “na ânsia de tirar dividendos políticos, sendo de lamentar que um canal de televisão e dois jornalistas se deixem enredar sem questionar, fazendo o jogo sujo de quem actua na sombra”.

Não tendo dúvidas de que “este jogo sujo tem apenas por objectivo fins eleitorais e pretende fazer esquecer e mesmo esconder a verdade dos factos”, o Município esclarece os factos que foram explicados à TVI pela sociedade de advogados contratada, tendo boa parte sido ignorada na peça que foi para o ar.

Por esse motivo, o JPP fez questão de divulgar nas redes sociais e entre os seguidores da sua página no Facebook, a entrevista na íntegra, onde se conclui que o contrato com a sociedade de advogados permitiu ao município de Santa Cruz recuperar o seu poder de investimento, a sua credibilidade e denunciar as falcatruas cometidas por quem nos antecedeu na gestão desta autarquia.

A nota da CMSC enumera os resultados obtidos com esta contratação de serviço da sociedade de advogados que terá custado cerca de 1 milhão de euros, que permitiu, nomeadamente reduzir o prazo médio de pagamento para com os fornecedores de 1.049 dias para 15 dias.

“Não temos dívidas para com os fornecedores que no passado ultrapassava mais de € 30 milhões de euros; a capacidade de investimento e de endividamento é de €16.000.000,00 e no passado eram negativos em € 13.000.000,00; mantivemos os impostos no mínimo legal o que permitiu deixar no bolso de cada munícipe de Santa Cruz importantes valores financeiros que representaram uma poupança total superior a € 19 milhões de euros”.

O contrato com esta sociedade de advogados permitiu à autarquia investir no social, “com medidas que aqueles que nos apontam agora o dedo e tentam denegrir o nosso trabalho nunca tomaram”, acusa a câmara numa mensagem indirecta ao PSD.

E regista que a Reabilitação de Imóveis beneficiou 67 famílias num investimento de 456.187 euros. O Fundo Social de Emergência (Ajudas Pontuais), foram investidos 500 mil euros. Nas Bolsas de Estudo que chegaram a 849 alunos, a autarquia conseguiu alocar 1.068.000 euros. Para os Manuais Escolares, que abrangeram 3.600 alunos, foram gastos 302.638 euros.

Graças a esta auditoria, a CMSC conseguiu devolver 823.600 euros de IRS e IRS familiar, alocar 50 mil euros em apoios ao sector agrícola, 350 mil euros em apoios ao associativismo cultural, desportivo e recreativo e exames médicos, desde 2017; 250 mil euros em medicamentos gratuitos; 53 mil euros que permitiu que 23 pessoas tivessem acesso a pequenas cirurgias, 30 mil euros para ajudas técnicas e 77.600 euros para que 648 crianças beneficiassem de actividades de tempos livres.

“A mentira tem perna curta e o povo já não embarca nestas jogadas de baixo nível. E sobretudo o povo tem memória dos tempos em que os contratos com advogados eram feitos por telefone a amigos e militantes do partido que governa esta terra durante mais de trinta anos”, conlui o município.

“Se tivéssemos amigos na TVI, dava para contratar centenas de Anas Leais dispostas a cometer deslealdades à nobre missão de informar com isenção”, atira em tom crítico a Câmara que diz preferir “continuar a trabalhar e não mergulhar nos mesmos esquemas de quem parece não ter outros recursos que não sejam a mentira e o ataque desonesto e gratuito”.