Madeira

“A Saúde é um dos principais handicaps da Região”

Descarregue aqui o estudo que custou 111 mil euros aos madeirenses

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“A Saúde é um dos principais handicaps da Região”. A conclusão consta do ‘Estudo qualitativo para a avaliação da realidade social, cultural e económica da RAM - 2019’ que o DIÁRIO aqui (descarregue o PDF em baixo) partilha com os madeirenses.

Como o DIÁRIO noticiou em Novembro de 2018, o estudo contratualizado pelo Governo Regional à Aximage custou 111 mil euros e teve por objectivo conhecer a realidade regional nas suas várias vertentes. “Para definir metas e adoptar medidas, necessitamos de obter o retrato fiel de quais as reais carências, necessidades e anseios das populações, de modo a planificar correctamente as estratégias e agir atempadamente junto destas, elencando prioridades na nossa actuação. Para a concretização desta planificação, essencial a qualquer acção governativa, é necessário recorrermos a trabalhos especializados, como acontece no presente caso” e que “este estudo se destina ao uso exclusivo da actuação governativa”, explicava a vice-presidência do GR ao DIÁRIO em Novembro último.

O estudo, que foi desenvolvido através da metodologia de ‘focus group’, refere como principal percepção que, “viver na Madeira é sentido como um privilégio, dada a grandeza das características intrínsecas da Região e da sua identidade sociocultural”. As vivências são globalmente positivas, embora os inquiridos apontem o dedo aos efeitos da insularidade, à dependência do continente, ao patriacalismo e ao compadrio existente.

O Turismo, a Segurança, o Ambientalismo e a Educação estão no ‘topo’ das percepções positivas, enquanto que a Agricultura e a Pecuária, o Custo de Vida, a Saúde e os Transportes se revestem de maior negatividade.

O Custo de Vida na Região é um dos principais problemas identificados tendo em conta os salários baixos (mais do que no continente), os preços mais elevados do que no território nacional, o aumento dos custos de habitação e a redução dos benefícios fiscais.

A par e passo com o Custo de Vida, a Saúde é um dos principais handicaps da Região. Os inquiridos apontam o facto do hospital ser antigo e em mau estado de conservação, referem ter dúvidas quanto à qualidade dos médicos e falam da escassez de profissionais de saúde e sublinham os problemas relacionados com as longas listas de espera para consultas e cirurgias, casos que o DIÁRIO tem vindo a noticiar.

O sector dos Transportes é o que apresenta maiores fragilidades e assume maior impacto na vida dos madeirenses, não só tendo em conta os custos (viagens aéreas e de barco), as limitações do aeroporto, mas também os lobbies do Governo com as empresas do sector e as lacunas no transporte rodoviário de passageiros.

Os inquiridos referem ainda as limitações encontradas nos sectores da Agricultura e Pecuária, como a falta de apoio na área, o desaproveitamento das potencialidades da ilha, a escassez de mão de obra e o custo dos transportes.

No lado positivo, o Turismo continua a ser “o órgão vital” da Região, embora os inquiridos refiram que o desenvolvimento não é equitativo em todo o território (costa Norte mais prejudicada) e sublinham que as limitações do aeroporto podem fragilizar este importante sector.

A Segurança surge como um dos melhores atributos da Região, sendo até considerado um atractivo para o turismo. São apenas apontados alguns casos específicos de bairros tidos como problemáticos.

A Educação é um sector que não apresenta preocupações e, sobre o emprego, o estudo revela que a taxa de desemprego não é preocupante na Região e que a hotelaria se destaca como a área de maior empregabilidade, embora os inquiridos sintam que há poucas oportunidades de emprego qualificado e a percepção que os luso-venezuelanos regressados à Região vieram tirar ‘lugar’ aos madeirenses.

Em termos concelhios, Funchal, Ponta do Sol e Machico são os concelhos com ‘melhor nota’, Santana e São Vicente são os piores.

O estudo confirma ainda muito daquilo que já se sabe e dá conta que o DIÁRIO é o líder na imprensa na Região. Metade dos que lêem jornais lê o DIÁRIO num sector em que os continentais não vingam, pois tanto na rádio como na televisão mandam os de fora.