Chega a hora da verdade

14 Fev 2020 / 02:00 H.

    Às vezes fico a pensar que mal fez este povo para ter de levar com os governantes que lhes tem sido colocados no caminho e para termos de eleger semelhante incompetência. Pois é, depois percebo que o primeiro objectivo do 25 de Abril afinal até não foi propriamente a implantação de uma democracia em Portugal, mas sim o assalto ao poder de uma classe de gente que quis continuar no modelo antigo de manter a ignorância deste povo para poderem manter a qualquer preço o domínio dos bens do país. Porque por mais que queiramos acreditar neste modelo de regime que querem continuar a designar de democracia, nada tem a ver com a verdadeira e genuína democracia, onde a justiça é equitativa, célere e digna. Onde a educação ensina a preservar os valores mais básicos de uma sociedade desenvolvida, e dignificar a pessoa humana. Onde o respeito, as hierarquias e a cidadania deve ter contornos de civismo, respeito, e dignidade. Parece que dizer a verdade passou a ser crime, ser respeitoso e educado uma questão de fraqueza, ser honesto é palermice e sentir-se ultrapassado, ter civismo, é deixar que os outros passem à nossa frente a qualquer custo. Enfim desqualificou-se totalmente as regras de um cidadão exemplar, para «valorizar» tudo aquilo que actualmente e tristemente assistimos no nosso país. Começou-se por incutir neste povo que liberdade era fazer tudo o que nos apetece, quando na realidade a democracia é o sistema onde mais se deve respeitar a liberdade de cada indivíduo. Na educação é triste ver onde chegou a degradação, os professores pilar de uma nação, perderam qualquer tipo de autoridade e são meros instrutores de um programa pré-definido que em nada abona à preservação dos valores básicos de uma sociedade civilizada. Na politica quanto mais tachos, mais roubos e mais corrupção, cavam-se os alicerces para a destruição da nação. A justiça perdeu a credibilidade onde um agente da autoridade é quase um criminoso, quando se prende ou persegue os denunciantes de actos criminosos principalmente cometidos pela alta finança (banqueiros) ou políticos que inescrupulosamente cometem crimes contra o património nacional, sem que sejam sequer chamados a prestarem contas dos mesmos. Todos os dias deparamos-nos com notícias que já nos envergonham. Violência e agressões em plena rua que quase atingem um estado de anarquia, pois a lei dada ás deficitárias regras, sente dificuldade em julgar ou sequer até avaliar semelhantes descalabros. Uma saúde que dá prioridades àquilo que verdadeiramente até nem seria prioritário, quando são às centenas as simples cirurgias levam anos à espera e os cidadãos desesperam, pois muitos dos nossos profissionais são valorizados lá fora quando deveriam ter todo o apoio para exercer os seus desempenhos no seu país ao serviço de quem sustentou na sua formação. Mas continuam a apregoar que aparentemente está tudo bem e que a cada dia melhoram os serviços quando a realidade o caos é cada vez maior. E a quem tem a coragem de enfrentar este modelo de regime, a denunciar ou sequer se manifestar contra, surgem nova e modernas qualificações, do tipo: populismo, extremistas, radicais, xenófobos ou profetas da desgraça, quando a realidade está à vista de todos. Porque esta forma não será com certeza a politicamente correcto de abordar semelhantes situações, deixo a apreciação de tudo o que aqui foi exposto a cada um dos cidadãos que sentem na pele as amarguras de um regime que quer ser democrático, mas que tem falhado em toda a linha por culpa de gente sem escrúpulos que esquecem que fazer política deveria ser uma honra e um privilégio de quem simplesmente quer estar ao serviço de uma população para bem de todo um povo.

    A.J. Ferreira