“Em alta competição [o erro] paga-se caro”

Treinador do Marítimo, Nuno Manta Santos reconhece infelicidade e falta de competência na eliminação da Taça de Portugal

Aveiro /
20 Out 2019 / 22:40 H.

Após a derrota nos penáltis (5-6, após empate 2-2 no prolongamento) e eliminação da Taça de Portugal 2019/2020, frente ao Beira-Mar, equipa do Campeonato de Portugal, equivalente à 3.ª divisão, Nuno Manta, treinador do Marítimo disse que a queipa devia e podia ter feito melhor, nomeadamente segurar a vitória quando estava 2-1.

“Primeiro, cometemos um erro que foi deixar o Beira-Mar marcar um golo e isso deu logo muito mais alento ao Beira-Mar e dificultou-nos muito mais a nossa tarefa”, disse. “Depois, na segunda parte, depois de ter dado a volta ao resultado, ter conseguido ficar em vantagem a terminar o jogo, nunca pensei que iria sair daqui derrotado através dos penáltis também”.

Para Nuno Manta Santos, quando “faltavam sete minutos, era uma questão de gerir o tempo do jogo, de estarmos organizados defensivamente, não cometer erros individuais e coletivos, que depois dá o golo do Beira-Mar e fica 2-2. Fomos para os penáltis e depois também aí a competência, muitas vezes, vem ao de cima nesses momentos. Parabéns ao Beira-Mar por ter passado a eliminatória”, deixou nota de fair-play.

O treinador dos verde-rubros disse ainda que “estava à espera de encontrar este Beira-Mar que encontrámos hoje, porque fizemos a análise do adversário”. E apontou: “Os jogadores tinham conhecimento do que o Beira-Mar fazia, o modelo de jogo e a estratégia que o Beira-Mar tem para o seu jogo. Por isso, nem eu nem os jogadores estranhámos o que o Beira-Mar fez. Obviamente, houve momentos em que tivemos que respeitar o nosso adversário, porque tem qualidade e tem valor.”

No entanto, é claro: “Agora, nós, houve momentos não só individualmente, mas coletivamente, que podíamos e devíamos ter feito melhor em alguns momentos. Há ali uma fase em que jogámos muito mais com o coração do que com a cabeça, mas depois na segunda parte fomos para cima, conseguimos controlar o Beira-Mar, conseguimos fazer o golo do empate e depois virámos o jogo para o 1-2.”

Tanto esforço para nada com erros assumidos por Nuno Manta Santos. “A faltar sete minutos, aquele segundo golo em alta competição não pode acontecer. Não é permitido. São dois erros muito graves. Se formos a analisar bem, os golos que a gente sofre são um pouco consentidos em termos de duelos individuais e de posicionamento que acontece no jogo. Em alta competição isso paga-se caro.”

Já Ricardo Sousa (treinador do Beira-Mar) disse: “Esta vitória é inteiramente dos adeptos. Aquilo que se registou hoje nas bancadas em Aveiro foi o trabalho feito pelos adeptos do Beira-Mar nos últimos cinco anos. O Beira-Mar está de volta. O Beira-Mar merece os adeptos que tem. Os adeptos não deixaram cair o clube e o clube, degrau a degrau, passo a passo, está a voltar ao seu melhor. Hoje, contra uma equipa da primeira divisão, foi um reviver do passado, perante tanto ano sem ter um jogo tão importante como este e os adeptos compareceram em força e a força que nos transmitiram para dentro do campo deu neste resultado bonito.

Perante um Marítimo difícil, fomos um super-Beira-Mar organizado, competitivo, com um sentido de compromisso e com um sentido de pertença estonteante e, na minha opinião, foi uma vitoria justa pelo sofrimento que os jogadores conseguiram ter no meio de tanta contrariedade ao longo dos 120 minutos. Eu preferia que o próximo adversário fosse uma equipa pequena. Gostava de continuar a ultrapassar eliminatórias. Sabemos que financeiramente, se nós recebêssemos um FC Porto ou um Benfica, resolvíamos os problemas da época. Mas eu sou auspicioso, quero mais. Esta eliminatória só não chega, quero continuar a passar. Vamos esperar que o sorteio seja generoso, mas seja contra quem for, uma equipa dos distritais, ou da II Liga ou da I, o Beira-Mar vai jogar todos os jogos olho no olho.”

E acrescentou ainda: “Seria muito fácil para mim chegar ao jogo com o Marítimo e meter um autocarro em frente à baliza e jogar em contra-ataque e esperar que tivéssemos um milagre, mas não foi isso que aconteceu. Pressionámos o jogo todo, quisemos bola, tivemos oportunidades, houve fases em que estivemos por cima, houve fases em que o Marítimo também esteve por cima, é o jogo. Foram 120 minutos sofridos também por algumas contrariedades que fomos tendo em termos de lesões, mas foram 120 minutos muito competitivos, muito interessantes. Quero dar os meus parabéns aos meus jogadores por aquilo que fizeram, mas dizer-lhes que isto não chega. Quero mais.”