Museus, cinemas e espectáculos na Madeira têm menos público

Por outro lado, as Câmaras investem mais em Cultura

04 Dez 2019 / 16:56 H.

De acordo com os dados actualizados da ‘Série Retrospectiva da Cultura, Desporto e Lazer’, disponibilizados hoje pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM) no seu portal, os museus da RAM têm cada vez menos visitantes e os cinemas e espectáculos ao vivo também registaram menos espectadores.

É curioso observar que estas ‘quebras’ acontecem numa altura em que as despesas das Câmaras Municipais com cultura e desporto cresceram.

Museus com menos visitantes do que em 2017 e galerias de arte com menos exposições

No ano de 2018, os 18 museus na Região Autónoma da Madeira (RAM) que cumpriram os 5 critérios de elegibilidade de apuramento do Inquérito aos Museus, dispunham de cerca 99 mil bens no seu acervo e registaram cerca de 211 mil visitantes, -19,6% que em 2017 (263 mil). Do total de visitantes registados, 63,2% eram estrangeiros (133 mil pessoas) e 13,6% eram visitantes inseridos em grupos escolares.

De notar que a quebra acentuada no número de visitantes, deve-se fundamentalmente ao encerramento temporário do Museu da Quinta das Cruzes.

No Inquérito às Galerias de Arte e Outros Espaços de Exposições Temporárias de 2018 foram inquiridos 33 estabelecimentos em actividade na RAM, que realizaram 278 exposições (-8,9% que no anterior), nas quais 1 298 autores expuseram 8 939 obras (8 921 obras em 2017).

Publicações periódicas com queda nos exemplares vendidos

No Inquérito às Publicações Periódicas foram apuradas 28 publicações periódicas em 2018 na RAM, correspondentes a 906 edições, 6,7 milhões de exemplares de tiragem global e 4,6 milhões de exemplares de circulação total, dos quais foram vendidos 4,4 milhões de exemplares. Face ao ano transacto, registaram-se aumentos nas edições (+2,8%) e na tiragem total (+1,2%); na circulação total (-5,0%) e nos exemplares vendidos (-4,9%) observaram-se diminuições.

Cinemas e espectáculos ao vivo com menos espectadores

Em 2018, contabilizaram-se 17 450 sessões de cinema na RAM, menos 3,1% que no ano anterior. O número de espectadores baixou também para 265 mil e as receitas de bilheteira para 1,4 milhões de euros, representado decréscimos de 9,1% e 7,2% face a 2017, respectivamente. O ano de 2018 fica assim marcado pela inversão da tendência crescente que estes dois últimos indicadores vinham apresentando desde 2014.

Foram promovidas 1 182 sessões de espectáculos ao vivo em 2018, com um total de 320,1 mil espectadores, dos quais 66,3 mil pagaram bilhete, gerando uma receita de 733 mil euros. Em comparação com 2017, verificaram-se decréscimos nas sessões realizadas (-22,3%) e nos espectadores (-1,6%); nos bilhetes vendidos (+20,2%) e nas receitas de bilheteira (+21,4%), ao invés, foram registados aumentos, mantendo-se a tendência de crescimento já verificada no ano anterior, ainda que com menor expressão.

No ano em referência, os jardins botânicos e aquários considerados para a RAM foram visitados por 716,7 mil pessoas, na sua grande maioria estrangeiros (89,7%), verificando-se um aumento de 0,6% face a 2017 no número de visitantes destes espaços.

Despesas com cultura e desporto das Câmaras Municipais cresceram, mas o seu o peso no total das despesas manteve-se

Segundo os resultados do Inquérito ao Financiamento Público de Actividades Culturais, Criativas e Desportivas pelas Câmaras Municipais (IFAC) de 2018, as despesas em actividades culturais, criativas e desportivas das Câmaras Municipais naquele ano ascenderam a 11,0 milhões de euros (5,3% do total das despesas das Câmaras Municipais da RAM), significando um aumento de 14,8% face a 2017. Este acréscimo foi transversal às despesas correntes e às de capital, precisamente na mesma dimensão relativa (14,8%), muito embora seja de notar que 95,4% das despesas totais foram de natureza corrente. O peso das despesas em cultura e desporto (5,3%) manteve-se inalterado face ao ano anterior.

Do total das despesas com cultura e desporto de 2018, 76,3% tiveram como destino as atividades culturais e criativas (equivalendo a 8,4 milhões de euros), e os restantes 23,7% o desporto (2,6 milhões de euros).

Em ambas as actividades registaram-se aumentos face a 2017: 16,3% na cultura e 10,3% no desporto. Assim, o peso das despesas em cultura face ao total de despesas das Câmaras da Região foi de 4,0%, enquanto no caso do desporto não ultrapassou os 1,3% (a mesma estrutura de 2017).

Por domínios, e no caso das despesas culturais e criativas, evidenciam-se as afectas às “Artes do espectáculo”, com um peso de 34,9% do total das despesas em cultura (2,9 milhões de euros), seguindo-se as “Actividades interdisciplinares” com 28,4% (2,4 milhões de euros) e as de “Património” com 16,9% (1,4 milhões de euros).

No caso das despesas em desporto, destacam-se as relativas às “Associações desportivas”, que corresponderam a 40,8% das despesas totais em desporto (1,1 milhões de euros) e às “Atividades desportivas”, que representaram 30,8% (804 mil euros).

Ficheiros Anexos
$el.generic_text.data
Outras Notícias