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Madeira

Ivone Silva voou até ao título mundial e quer inspirar mais jovens para o parapente

Natural da freguesia dos Canhas, na Madeira, a recém-sagrada campeã do mundo júnior de parapente desenha a sua trajectória

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Ivone Silva começou a voar sozinha aos 18 anos, depois de crescer com os parapentes à janela, seis anos depois, tornou-se campeã mundial júnior, um título que quer aproveitar captar mais jovens para a modalidade em Portugal.

Natural da freguesia dos Canhas, na Madeira, a recém-sagrada campeã do mundo júnior de parapente desenhou uma trajetória que, em apenas dois anos de competição oficial, e ao serviço da seleção nacional, a levaria ao topo do mundo no 2.º Campeonato do Mundo de Juniores da Federação Aeronáutica Internacional (FAI), disputado entre 22 e 30 de agosto em Krusevo, na Macedónia do Norte.

Madeirense Ivone Silva é campeã mundial de juniores femininos em parapente

A madeirense Ivone Silva conquistou hoje o título de campeã mundial feminina de juniores no 2.º Campeonato do Mundo de Juniores de Parapente, disputado em Krushevo, na Macedónia do Norte.

O título mundial surgiu na sequência de uma trajetória iniciada ainda antes de a atleta da Associação Cultural e Desportiva do Jardim da Serra poder voar sozinha - um percurso cujas prestações lhe valeram, em 2025, a integração na Academia de Voo da Federação Portuguesa de Voo Livre, estrutura de preparação de pilotos para a Equipa de Portugal com vista às provas internacionais FAI 1 (Mundiais e Europeus).

"Nasci e cresci com uma descolagem ao pé de casa", contou a piloto, que desde pequena via parapentes diariamente a partir da janela.

Aos 14 anos, pediu aos pais como prenda de aniversário um voo de 'tandem' - também conhecido como salto duplo - tendo sido essa a primeira vez que voou. Em Portugal, porém, a licença de parapente só pode ser obtida aos 18 anos, pelo só em 2020, e depois de tirada a licença, começou a voar sozinha.

A passagem para a competição aconteceu mais tarde. A estreia internacional surgiu em setembro 2025 na etapa de Hike & Fly Kappl & See - Áustria, depois de ter descoberto na vertente desportiva uma forma de dar novos objetivos à paixão pelo voo.

"O facto de haver competição traz-nos um cheirinho maior e melhor para fazermos algo mais, não ser só voar sem objetivos", explicou, considerando que competir é também uma forma "muito divertida" de voar e de evoluir.

A preparação para as competições, contudo, exige tempo e muitas horas no ar. Num dia normal de treino, Ivone passa três a quatro horas a voar, num processo em que considera essencial ganhar confiança e conforto com o equipamento.

O caminho até ao título mundial foi ainda mais exigente porque, em maio, a atleta sofreu um acidente durante o primeiro dia de uma prova em Espanha, no qual fraturou a anca e ficou dois meses sem voar.

Para mim, a preparação foi muito complicada, eu nem sequer sabia se conseguia estar pronta.

Quando regressou, teve ainda de se adaptar a uma asa nova, adquirida entretanto, e que obrigou a um novo período de adaptação, mas ainda assim o resultado superou as expectativas da própria campeã mundial.

"Nem eu estava à espera de estar lá, quanto muito de trazer a medalha. Trazer a medalha de ouro foi a cereja no topo do bolo", confessou a piloto, que em agosto de 2026 somou também o título de campeã nacional feminina.

Presidente da República felicita madeirense Ivone Silva pela "brilhante conquista"

O Presidente da República emitiu uma nota oficial em que felicita a madeirense Ivone Silva pela "brilhante conquista do título de Campeã do Mundo Júnior de Parapente". Este feito foi alcançado no 2.º Campeonato do Mundo de Juniores da Federação Aeronáutica Internacional, disputado em Kruševo, na Macedónia do Norte.

Após assumir o comando da prova logo na segunda de sete mangas, Ivone não mais largou o topo da tabela. Com um total de 2 778,9 pontos, garantiu o ouro e a coroa mundial com uma vantagem sólida de 135,8 pontos sobre a britânica Kanan Thakur, num pódio que ficou completo com a também britânica Zoe Vanhersecke.

No meio da elite mundial de sub-25, Ivone foi ainda mais longe, alcançando o 25.º lugar na classificação geral absoluta, que junta homens e mulheres - num campeonato onde o compatriota João Pinheiro fechou num honroso 13.º lugar masculino.

O fator financeiro constitui outro obstáculo à progressão, devido aos custos elevados das asas de competição

A conquista mereceu o reconhecimento do Presidente da República, que felicitou Ivone Silva pela vitória no Campeonato do Mundo de Juniores, considerando tratar-se de "um feito de grande mérito" que coloca Portugal "no lugar mais alto de um pódio mundial".

Para Ivone, o reconhecimento presidencial teve importância pessoal, mas sobretudo para uma modalidade que, considera, ainda é muitas vezes associada apenas ao lazer ou às situações de acidente.

A nível pessoal foi muito bom, nem estava à espera, muito sinceramente, mas acho que ainda é mais importante para a modalidade, porque somos muito vistos como pessoas que fazem isto por lazer.

Com o título mundial júnior no currículo e um lugar na história do parapente, a jovem piloto opta por não fixar, para já, metas concretas para o futuro.

"O objetivo passa muito por continuar a treinar e aumentar o ranking a nível mundial", explicou, acrescentando que tem ainda "três ou quatro provas até ao fim do ano" antes de começar a preparar a próxima temporada.

Mais do que os resultados, a campeã mundial quer que o seu título ajude a mudar a perceção sobre o parapente e a atrair novos praticantes, condição que poderá contribuir para conquistar mais apoios. "É uma modalidade em decadência em Portugal, temos muito poucos jovens a praticá-la", alertou, deixando um convite: "Precisamos de mais malta nova nisto".

O fator financeiro constitui outro obstáculo à progressão, devido aos custos elevados das asas de competição. "O processo é muito demorado, quer a nível de treino, quer a nível financeiro", explicou, revelando que a Federação Portuguesa de Voo Livre apoiou integralmente a participação nos dois campeonatos realizados este ano, mas que, fora dos Mundiais e Europeus, os atletas não dispõem desse apoio.

É também por isso que o título conquistado em Krusevo assume, para Ivone Silva, um significado que ultrapassa a medalha, na expectativa de que a sua conquista ajude a desenhar um futuro mais promissor para o voo livre nacional.