Chega denuncia supressão de folgas na PSP-Madeira para garantir policiamento do Rali do Nacional
O Chega-Madeira acusou esta sexta-feira o Comando Regional da Polícia de Segurança Pública (PSP) de impor a supressão de folgas aos agentes para assegurar o policiamento do Rali do Nacional, um evento que, segundo o partido, terá sido inicialmente objecto de parecer negativo por parte da própria PSP.
O presidente regional do CH, Hugo Nunes, classificou a decisão como mais um exemplo da "falta de planeamento" e da "incompetência" que, na sua perspectiva, têm marcado a liderança do comandante regional, fazendo recair sobre os agentes as consequências de decisões tomadas sem a devida ponderação.
"Quando uma chefia falha no planeamento, não podem ser sempre os agentes a pagar a factura", diz. "Suprimir folgas para assegurar um evento que inicialmente terá merecido parecer negativo demonstra desorganização, incoerência e um absoluto desprezo por quem veste a farda. Os agentes não são máquinas que podem ser convocadas e dispensadas conforme a conveniência do comando", acrescenta a denúncia.
Hugo Nunes sublinhou ainda que a supressão dos períodos de descanso não pode ser encarada como prática normal, sobretudo num contexto em que os profissionais da PSP já enfrentam falta de efetivos, sobrecarga de trabalho e níveis crescentes de desgaste físico e psicológico.
"Não há respeito pela integridade física e psicológica dos agentes, não há respeito pelas suas famílias e não existe preocupação com o seu bem-estar". lamenta. "Existe apenas uma liderança que ordena, impõe e sacrifica sempre os mesmos para esconder as suas próprias falhas. Esta forma de comandar é abusiva, incompetente e indigna", reforça.
Também o deputado do CH na Assembleia da República, Francisco Gomes, considerou que a situação confirma um padrão de actuação que está a gerar "descontentamento e desmotivação" entre os profissionais da PSP na Região Autónoma da Madeira.
E argumenta: "As folgas existem porque os agentes precisam de descansar, de recuperar física e psicologicamente e de acompanhar as suas famílias. Não podem ser eliminadas sempre que o comando decide dar prioridade a uma festa, a uma prova ou a um evento. A disponibilidade permanente não pode servir de desculpa para uma gestão sem planeamento e sem qualquer sensibilidade humana."
Francisco Gomes alertou ainda que esta política de compressão dos direitos dos agentes prejudica a capacidade operacional da PSP e contribui para afastar a instituição da sua missão fundamental de prevenção da criminalidade e proteção da população.
"Enquanto os agentes são mobilizados para festas e eventos, faltam efectivos nas ruas, nas esquadras e nos locais onde a população verdadeiramente precisa da polícia", aponta. "A PSP-Madeira está cada vez mais afastada da sua missão essencial porque as prioridades do comando estão profundamente erradas. Uma polícia exausta, desmotivada e privada do necessário descanso fica inevitavelmente mais fragilizada".
Uma denúncia que surge num momento em que se multiplicam as queixas relativas às condições de trabalho das forças de segurança na Madeira, matéria que o CH tem vindo a apontar repetidamente e que considera ser uma gestão deficiente do Comando Regional da PSP, acusando a liderança de sacrificar sistematicamente o bem-estar dos agentes em favor de decisões que classifica como desorganizadas e incoerentes.