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Guterres insta líderes mundiais a lutar pela paz "agora mais do que nunca"

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FOTO HANNIBAL HANSCHKE/EPA

O secretário-geral da ONU instou hoje os líderes mundiais a "cumprirem as suas promessas" e a lutar pela paz "agora mais do que nunca", desde o Médio Oriente à Ucrânia, lançando ainda alertas sobre a inteligência artificial.

Numa conferência de imprensa antes da Semana de Alto Nível da Assembleia-Geral das Nações Unidas, Guterres afirmou que os líderes mundiais vão reunir-se em Nova Iorque numa era de profunda incerteza, mas irá aproveitar a oportunidade para relembrá-los dos seus compromissos com a Carta da ONU.

"A minha mensagem aos líderes resume-se a isto: cumpra as suas promessas, faça jus à Carta da ONU, seja fiel aos ideais que jurou defender, defenda o Direito internacional, proteja os direitos humanos, invista no desenvolvimento sustentável e inclusivo. E lute pela paz. Agora mais do que nunca", pediu.

No "momento crítico" que o Médio Oriente atravessa, "a desescalada deve ser a prioridade número um, a prioridade número dois e a prioridade número três", defendeu.

O antigo primeiro-ministro português apelou a que todas as partes cessem quaisquer ações que prejudiquem os civis e que garantam que as operações humanitárias prossigam em segurança e sem obstruções.

Os direitos e liberdades de navegação no estreito de Ormuz e em Bab al-Mandab e nas suas imediações devem ser plenamente restaurados e respeitados por todos, em conformidade com o Direito internacional, recordou ainda.

"O único caminho a seguir é a desescalada, a diplomacia e o diálogo. Continuarei a insistir nesta mensagem nos meus contactos contínuos com os dirigentes", disse, sobre as dezenas de reuniões bilaterais qe devem manter com líderes mundiais durante a Semana de Alto Nível, que arranca na sexta-feira e se prolonga até 28 de setembro.

No contexto da crise no Médio Oriente, Guterres pediu que não se esqueça o "sofrimento dramático do povo palestiniano -- tanto em Gaza como na Cisjordânia".

O plano de paz para Gaza deve ser plenamente implementado com ajuda humanitária sem restrições, apelou, defendendo que a anexação gradual da Cisjordânia tem de parar.

"Não haverá paz no Médio Oriente sem a concretização da solução de dois Estados", insistiu.

Voltando-se para a Europa, Guterres sublinhou o "imenso sofrimento civil, consequências globais em cascata e sem fim à vista" da guerra na Ucrânia, afirmando que é tempo de um cessar-fogo imediato como primeiro passo para uma paz justa, duradoura e abrangente.

Ao destacar "as ameaças em todo o mundo", António Guterres abordou as crescentes preocupações relativamente ao avanço da inteligência artificial (IA), a qual classificou como uma "ameaça existencial" caso esteja descontrolada.

Fazendo eco dos crescentes alertas deixados pela própria indústria da IA, de que o desenvolvimento dessa tecnologia está a avançar à frente da compreensão dos riscos, Guterres defendeu que a humanidade não pode permitir-se a ignorar as preocupações levantadas.

"Os governos devem assumir as suas responsabilidades. É a primeira responsabilidade de qualquer Governo proteger os seus cidadãos -- inclusive contra as ameaças da inteligência artificial. A ação nacional é essencial. Mas a coordenação global é também indispensável. Porque a IA não se fica pelas fronteiras -- nem os seus riscos", disse.

"Pausas voluntárias isoladas, não verificáveis e aplicadas de forma desigual não resolverão o problema. Se acreditamos que o desenvolvimento da IA deverá abrandar quando os riscos se tornarem demasiado grandes, precisamos de mais do que boas intenções", acrescentou.

O chefe das Nações Unidas, que deixará o cargo no final do ano, garantiu que a IA será certamente um tema importante nas suas discussões com os líderes mundiais na próxima semana e que a ONU continuará a explorar ideias e abordagens práticas nos próximos dias.

"Estou consciente das divisões geopolíticas e das tentações que isto pode gerar. Mas o mundo não pode permitir-se um nivelamento por baixo na segurança da IA. Precisamos de barreiras de proteção para construir confiança -- e que tornem a IA segura, transparente, responsável, com a dignidade humana no centro", disse.

"Numa altura em que o mundo enfrenta três ameaças existenciais -- a inteligência artificial descontrolada, a crise climática e o intolerável aprofundamento das desigualdades -- a cooperação internacional é mais necessária do que nunca", concluiu.