Veículos quase duplicaram em 25 anos no Funchal e aproximam-se dos 90 mil
Semana da Mobilidade mostra desafios e respostas do Município, que tem conseguido reduzir a sinistralidade
O número de veículos na Madeira continua a aumentar, comparando os anos de 2000 e 2025, foram mais 145,77%; só no Funchal mais 89,53%. A Região passou de 84.057 carros para 206.588; enquanto neste Município os valores subiram de 46.262 para 87.681. Os dados são da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e constam de um dos painéis da exposição da Semana Europeia da Mobilidade, apresentada ao início desta tarde na Câmara Municipal do Funchal. Na ocasião, o presidente assumiu os compromissos nesta área.
Antes de ir às políticas, importa ir aos números, que a exposição coloca em evidência. Os veículos de duas rodas protagonizaram o aumento mais significativo no Funchal. Eram 3.184 seguradas na viragem do milénio, em 2025 a autoridade registava já 10.736. No mesmo período, os ligeiros passaram de 44.441 para 73.985; os pesados de 1.309 para 1.719;e os outros veículos de 328 para 1.241.
Ainda comparando os anos de 2000 e de 2025, os acidentes rodoviários também dispararam. De 1.525 para 4.125 a nível regional; e de 770 para 1.471 no Funchal. Nesses 25 anos, registaram-se 18.923 acidentes, que resultaram em 79 mortos, 514 feridos graves e 7.358 feridos ligeiros. De referir ainda que, no ano passado, em 79% dos acidentes no Funchal os automóveis ligeiros estiveram envolvidos.
A exposição ‘Mobilidade no Funchal: O Caminho da Sustentabilidade!’ destaca, por outro lado, o trabalho que vem sendo feito nesta área pela Câmara, nomeadamente as 89 passadeiras sobrelevadas que a capital madeirense dispõe e as 55 lombas que ajudam a reduzir a velocidade e têm reduzido os acidentes. Entre 2024 e 2025 foram menos 3,86% de sinistros no Funchal, contrariando a tendência regional de aumento.
Nas políticas, houve melhoria das acessibilidades, a criação de áreas de coexistência, onde os peões têm prioridade, e a dissuasão do estacionamento irregular, com a colocação de prumos em cerca de 20 ruas centrais. A mostra refere também a subida do número de veículos eléctricos, a modernização dos semáforos, os corredores Bus e os terminais de autocarros.
No âmbito desta exposição, que marca o início de um programa mais alargado a decorrer até ao dia 22, há um painel dedicado ao Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, que será criado para o Funchal. Este plano permitirá depois reorganizar a mobilidade e decidir as políticas municipais para a área.
A exposição mostra de forma muito clara, na opinião do presidente da CMF, o caminho que o Município tem vindo a percorrer e dá a conhecer as medidas que tem implementado em matéria de espaço público, prevenção rodoviária e mobilidade sustentável. “Os números ajudam-nos a perceber o nosso desafio”. “Esta pressão sobre o espaço público é real e obriga-nos a agir. E temos, efectivamente, agido”, disse, recuperando os números acima referidos.
O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável permitirá ao Executivo conhecer melhor os padrões de circulação da cidade e definir as políticas de mobilidade a curto, médio e longo prazo. Jorge Carvalho revelou que conta até ao final do ano ter o concurso público concluído. A partir desse momento iniciará os estudos. Vão abranger desde a mobilidade pedonal, aos transportes públicos, passando pelo trânsito particular, cargas e descargas e outros. O objectivo é ter “Uma visão integrada de todo o processo de mobilidade” e com esses dados poder “cimentar de forma consistente” as decisões.
A Câmara tomou e poderá tomar algumas medidas antes da conclusão do levantamento, ajustamentos, mas as grandes linhas, a estratégia global, só acontecerá quando Jorge Carvalho estiver na posse dessa informação. O futuro da ciclovia está igualmente dependente desse levantamento e das conclusões que apresentar. Poderá evoluir, manter-se ou podem mesmo ser encontradas alternativas, referiu o presidente da Câmara.
Este ano o tema da Semana Europeia da Mobilidade é a Equidade Intergeracional. “É um tema que diz muito sobre a forma como queremos pensar a mobilidade, uma cidade que funcione para todos, das crianças aos mais idosos, de quem conduz a quem caminha e de quem usa transporte público a quem se desloca, por exemplo, de bicicleta”. Jorge Carvalho acredita que nunca são de mais a criação de espaços para promover a reflexão sobre o tema. “Sobre a forma como nos deslocamos e, acima de tudo, sobre o impacto que estas escolhas têm no ambiente, na segurança e na qualidade de vida, particularmente da nossa cidade”.
O programa foi preparado para chegar a todas as idades, destacando-se, no domingo o Mobi Open Day, na Avenida do Mar e das Comunidades e na Praça do Povo, com actividades para todas as idades; e na terça-feira durante a manhã a conferência ‘O Futuro da Mobilidade Urbana no Funchal: Qual o Caminho a Seguir’. Na Sala da Assembleia Municipal, a partir das 9h15. Entre os convidados estão Carlos Carvalho, presidente da Transportes Metropolitanos de Lisboa e Sílvia Amaral, administradora da empresa Mobi-E.