Desconfiar sempre
Há burlas que não tentam enganar pelo absurdo. Fazem exactamente o contrário:, travestindo-se de credibilidade. E não é de agora. Usam o nome de um banco, de uma seguradora, do fisco, de uma entidade pública, de uma empresa conhecida ou até de uma marca em que confiamos para transformar uma mensagem aparentemente banal numa armadilha.
É uma perversidade particularmente eficaz porque explora uma coisa que demorou anos a construir: a confiança. O cidadão não está necessariamente distraído nem é ingénuo. Muitas vezes, está perante uma comunicação que parece legítima, com o nome, o logótipo e a linguagem de uma entidade que conhece. O golpe começa precisamente aí.
A tecnologia tornou estas burlas mais sofisticadas, mas também revelou uma fragilidade antiga: continuamos a confiar demasiado na aparência das coisas. E, quando até o nome de quem nos merece confiança pode ser falsificado, a prudência deixa de ser uma opção e passa a ser uma espécie de seguro.
A regra devia ser simples e devemos tê-la presente. Quanto maior a urgência e maior a autoridade invocada, maior deve ser a desconfiança. Porque hoje, antes de acreditar em quem nos fala, talvez seja necessário confirmar quem realmente está a falar.
Rui Sousa