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Cáritas agradece acompanhamento de Portugal e da comunidade lusa aos venezuelanos

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A Cáritas agradeceu hoje o acompanhamento de Portugal e da comunidade lusa local aos venezuelanos de La Guaira, afetados pelo duplo sismo que em 24 de junho abalou a Venezuela.

"Temos sentido a presença da comunidade portuguesa em toda a Venezuela. E isso é algo a valorizar, algo muito gratificante, porque têm muitos valores e trouxeram-nos não apenas a sua atividade comercial, mas também os seus princípios", disse à Lusa o coordenador da Cáritas em Pueblo Arriba, Naiguatá, La Guaira.

Dennis Diaz indicou que a comunidade lusa apoiou a ação social da Igreja Católica aos afetados e houve também "uma resposta e apoio da Embaixada portuguesa" à população de Pueblo Arriba, uma localidade "costeira e distante" de La Guaira.

"Desde os sismos temos sentido ainda mais a presença e o apoio da comunidade portuguesa e tem sido grato sentir que não estamos sós. Pelo porto [marítimo] de La Guaira chegaram muitos dos portugueses que fazem vida no país. Hoje vemos como chegam muitos portugueses, agora para ajudar-nos e esta mos-lhes muito agradecidos", disse.

Dennis Díaz afirmou ainda que voluntários da Cáritas trabalham para "distribuir a ajuda de maneira equitativa e identificar quais as pessoas afetadas diretamente pelos sismos, e quais enfrentam uma situação económica complicada, doenças e realidades que já a Venezuela vinha vivendo".

"Cáritas é a ação social da Igreja Católica, o rosto humano de Cristo, a mão que a Igreja estende aos mais carenciados, para dizer-lhes que não estão sozinhos e que em momentos de desastres os acolhemos e lhes damos respostas", sublinhou.

Agradeceu também a presença e ação da Assistência Médica Internacional (AMI-Portugal), que tem feito "mais suportável" o dia a dia dos venezuelanos.

"Estas situações [sismos] desencadearam uma infinidade de problemas emocionais e mentais, como o pânico e a ansiedade, que para nós eram temas tabu, muito difíceis de abordar, e que explodiram com o terramoto. A AMI nos tem acompanhado, ouvido, ido até dentro das comunidades e as pessoas os aceitam, compreendem que estão a tentar fazer com que o processo, o desastre que vivemos, seja encarado com normalidade e que possamos continuar com as nossas vidas", disse.

Os sismos que atingiram a Venezuela, em particular o estado costeiro de La Guaira, próximo de Caracas, provocaram pelo menos 6.125 mortos e 1.579 desaparecidos.

Entre os mortos confirmados contam-se, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, 138 portugueses e lusodescendentes.