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Guterres condena emboscada que matou dois soldados da ONU no Sudão do Sul

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou a emboscada contra a missão da ONU no Sudão do Sul (MINUSS), na qual dois soldados da Etiópia foram mortos e sete pessoas ficaram feridas.

A MINUSS anunciou que dois soldados foram mortos na segunda-feira, numa emboscada contra uma patrulha em Jonglei, no centro do país, sem especificar a nacionalidade nem identificar os responsáveis.

"Condeno veementemente a emboscada perpetrada contra uma patrulha no estado de Jonglei, no Sudão do Sul, por indivíduos armados não identificados", disse Guterres numa mensagem publicada nas redes sociais.

O diplomata português expressou ainda profundas condolências às famílias e entes queridos das vítimas, bem como ao Governo e ao povo da Etiópia.

Guterres recordou também que ataques contra membros das forças de manutenção da paz constituem "graves violações do Direito Internacional Humanitário" e podem constituir crimes de guerra.

A MINUSS condenou "veementemente a emboscada montada (...) por indivíduos armados não identificados, a uma das suas patrulhas que se deslocava para Pajut, no estado de Jonglei", acrescentando que dois soldados da missão foram mortos e várias pessoas ficaram feridas, incluindo três soldados, dois membros da polícia sul-sudanesa e dois funcionários civis.

"Esta violência mortífera dirigida contra o pessoal da MINUSS, que trabalha para promover a paz no Sudão do Sul, é inaceitável", denuncia a chefe da missão, Anita Kiki Gbeho, num comunicado.

Há vários meses que os combates recomeçaram no Sudão do Sul entre as forças governamentais leais ao Presidente sul-sudanês, Salva Kiir, e as milícias da oposição leais ao seu rival Riek Machar, vice-presidente destituído e colocado em prisão domiciliária.

Segundo os mais recentes dados da ONU, mais de 160 membros da MINUSS perderam a vida desde que a missão foi criada, a 08 de julho de 2011, na véspera da independência do Sudão do Sul, quando este se separou do Sudão após décadas de conflitos entre os rebeldes do Sul e o Governo de Cartum, no Norte.

O país mais jovem do mundo mergulhou rapidamente, em 2013, numa guerra civil, num contexto de luta pelo poder entre os partidários de Kiir e Machar, antigos inimigos na luta pela independência.

Em 2018, um acordo de partilha de poder entre os dois rivais pôs fim à guerra que causou 400 mil mortes.

No entanto, os confrontos recomeçaram em todo o país entre as forças de ambos os campos após a detenção, em 2025, de Machar, que se encontra desde então em prisão domiciliária, em Juba.

O Sudão do Sul ocupa o último lugar no Índice de Desenvolvimento Humano, sendo também considerado o país mais corrupto do mundo no 'ranking' elaborado pela organização não-governamental Transparency International.