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Mais oferta de alojamento não chega para baixar rendas dos estudantes deslocados

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A menos de um mês do arranque do ano letivo, há mais quartos disponíveis para os estudantes deslocados, mas o aumento da oferta face ao ano passado não se traduziu numa redução do preço das rendas.

Perto de 50 mil jovens ficarão a saber no domingo onde conseguiram colocação na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) e para muitos esse resultado ditou o início de uma nova fase noutra cidade e longe de casa.   

Depois desse primeiro teste, o próximo passo para milhares de estudantes deslocados é encontrar alojamento, um desafio marcado pela falta de oferta e preços elevados no mercado de arrendamento.

Este ano existem, no entanto, mais quartos disponíveis nas cidades que habitualmente recebem mais estudantes, de acordo com o Observatório do Alojamento Estudantil, que identifica a oferta privada de alojamento para estudantes e as rendas praticadas a nível nacional.

No final da semana passada, quando ainda não tinham sido divulgados os resultados do CNAES, a plataforma identificava 3.720 quartos em Lisboa, mais 1.042 do que no início de agosto de 2025. 

A tendência repete-se no Porto, onde os 1.218 quartos disponíveis representam um aumento de 53% face ao ano anterior, em Coimbra, onde a oferta cresceu 74%, e em Aveiro, que conta com quase o dobro de opções de alojamento.

Se, por um lado, a maior oferta pode facilitar a procura de alojamento, por outro, os preços das rendas continuam a ser um obstáculo.

À semelhança das rendas médias registadas em agosto passado, um quarto em Lisboa continua a rondar os 500 euros por mês, fazendo da capital na cidade mais cara para estudar.

Também em Coimbra e Aveiro se mantêm as rendas médias praticadas há um ano -- 300 euros e 350 euros, respetivamente -- e no Porto arrendar um quarto pode ser, este ano, ainda mais caro, rondando agora 430 euros mensais, mais 30 euros do que em 2025.

"O mercado de arrendamento está a tornar-se inviável", considerou o responsável de um grupo de residências universitárias privadas, relatando que esse segmento está a tornar-se uma opção para cada vez mais difícil para estudantes portugueses.

Com mensalidades mais elevadas em comparação com as rendas de um quarto num apartamento partilhado, as residências privadas são uma escolha popular sobretudo entre os estudantes estrangeiros, que representam muitas vezes a maioria dos residentes.

No entanto, o aumento dos preços na habitação nos últimos anos levou as famílias portuguesas a procurar alternativas.

"O mercado percebeu a mais-valia das residências. Para os pais, que querem ter previsibilidade sobre as despesas, o facto de terem todas as contas incluídas dá-lhes muita tranquilidade, além da questão da segurança", explicou Rui Fajardo, diretor de operações regional da Livensaliving.

Entre as duas residências do grupo em Lisboa, outras duas no Porto e uma em Coimbra, cerca de metade dos residentes no ano letivo passado eram portugueses, incluindo estudantes bolseiros, que conseguem suportar parte da mensalidade com o complemento de alojamento atribuído pelo Estado.

Nas instalações da Cidade Universitária, em Lisboa, a mensalidade de um quarto partilhado ronda os 600 euros, incluindo despesas, e os residentes têm ainda acesso zonas de estudo, cozinhas e espaços de refeição, ginásio, piscina, salas de cinema e de jogos, e atividades organizadas pela residência ao longo do ano.

Tudo somado, Rui Fajardo diz que são cada vez mais as famílias que reconhecem que a diferença de preço compensa e muitos estudantes acabam por viver na residência durante todo o percurso académico.

Outras, no entanto, procuram as alternativas nas periferias, em busca de rendas mais económicas, mas aumentar a distância em relação à universidade nem sempre representa uma poupança significativa.

Nos concelhos limítrofes da capital, por exemplo, o preço médio das rendas varia entre os 480 euros em Oeiras e os 400 euros em Almada, a alternativa mais barata em relação a Lisboa.

A norte, a diferença da "cidade invicta" para os concelhos vizinhos não ultrapassa os 55 euros mensais, com as rendas médias a variar entre os 400 euros em Matosinhos e Gondomar, e os 375 euros na Maia.