Cerca de 3 mil portugueses residem na área do fogo em França
Cerca de 3 mil dos mais de 20 mil portugueses que vivem no departamento francês da Gironda (sudoeste) residem nas áreas afetadas pelo incêndio que já consumiu 42 mil hectares e obrigou à retirada de aproximadamente 220 mil pessoas.
A estimativa foi transmitida à agência Lusa por Valdemar Félix, antigo conselheiro da comunidade portuguesa na região e atual vereador da câmara de Lormont, uma cidade de 27 mil habitantes situada a cerca de 10 quilómetros do centro de Bordéus.
Apesar dos contactos feitos pela Lusa, não foi possível apurar informações sobre o número de portugueses já retirados para centros de acolhimento na região.
O combate ao incêndio que atinge o sudoeste de França, cuja frente mais oriental se encontra a cerca de 10 quilómetros de Bordéus, tem estado a ser "muito difícil", apesar do envolvimento das forças armadas francesas, de acordo com Valdemar Félix.
Na cidade onde é vereador, que se encontra separada das frentes do incêndio por um rio, foram acolhidas no sábado 80 crianças de uma colónia de férias evacuada de uma zona exposta às chamas.
"A coluna de fumo é visível a cerca de 80 quilómetros de distância de Bordéus e a atmosfera está irrespirável", descreveu o vereador de nacionalidade portuguesa.
Segundo Valdemar Félix, a região está transformada "num cenário de guerra", com várias estradas cortadas - como a A63, que liga Bordéus a Bayonne, na fronteira com Espanha.
"Os franceses nunca tinham visto nada assim. Pensavam que só acontecia em Portugal, Espanha e na Grécia", afirmou o mesmo responsável, receando que a situação possa piorar nos próximos dias em que são esperadas temperaturas de cerca de 40 graus naquela região de França.
O incêndio em Gironda é o mais grave atualmente em combate em França, mas existem também focos ativos nos departamentos de Var, Landes, na ilha da Córsega e na região dos Altos Alpes, entre outras zonas.
Na cidade de Bordéus, as Forças Armadas francesas destacaram hoje meios para proteger as instalações industriais estratégicas, incluindo fábricas de pólvora e de mísseis, perante o possível avanço do incêndio para a região.
O Ministério das Forças Armadas anunciou que foram destacados "especialistas e recursos" para garantir a segurança das instalações industriais (incluindo fábricas de pólvora e de mísseis) dispersas pela parte ocidental da região, agora exposta ao grande incêndio em Gironda, que está a devastar a área em torno da baía de Arcachon, enquanto decorrem preparativos para a subida das temperaturas prevista para a próxima terça-feira.