Trump descarta retirada de tropas até conseguir concluir a missão
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu que não tenciona retirar os cerca de 50 mil soldados destacados no âmbito do conflito contra o Irão até que seja alcançada uma solução definitiva para a região.
Numa entrevista à NBC News, gravada na sexta-feira e transmitida hoje, o Presidente norte-americano rejeitou que o contingente militar esteja numa situação de risco.
"Não considero que as tropas estejam em perigo. Temos a melhor defesa e o melhor ataque que alguma vez se viu", afirmou Trump.
O Presidente classificou como "insensato" um eventual recuo neste momento, porque os Estados Unidos poderão "ter de utilizar" essas tropas.
Até ao momento, o balanço oficial do conflito aponta para 13 militares norte-americanos mortos em incidentes diretamente relacionados com as hostilidades, número que Donald Trump admitiu ser "demais".
Ainda assim, o Presidente relativizou o balanço, afirmando que "se olharmos para o Guerra do Vietname, onde morreram centenas de milhares de pessoas, ou para qualquer uma das últimas sete ou oito guerras (...), nós perdemos 13. É menos do que qualquer pessoa teria imaginado".
Em 01 de março, seis militares morreram após um ataque iraniano contra o porto de Shuaiba, no Kuwait. A 08 de março, outro soldado morreu na sequência de uma ofensiva de Teerão contra a base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita.
O incidente mais recente ocorreu a 12 de março, quando seis militares morreram na queda de um avião de reabastecimento KC-135 Stratotanker da Força Aérea norte-americana no oeste do Iraque.
Na mesma entrevista à NBC, Donald Trump disse ainda não tenciona desbloquear os ativos iranianos ou levantar algumas sanções contra o Irão antes de um eventual acordo.
"Isso virá depois, se eles agirem corretamente, se fizerem um bom trabalho", acrescentou.
O Irão exige que os Estados Unidos desbloqueiem estes fundos iranianos no estrangeiro, congelados devido às sanções norte-americanas.
Segundo uma fonte próxima do processo, citada pela AFP, o Tesouro norte-americano está a analisar a possibilidade de esses ativos servirem, pelo contrário, para compensar os países do Golfo pelos danos causados pelos ataques iranianos.
O líder republicano voltou a afirmar que conhece a localização exata do urânio enriquecido no Irão e disse querer recuperá-lo de uma forma ou de outra, mantendo-se vago quanto ao envio de tropas norte-americanas para esse efeito.
O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio assegurou esta semana que a questão do urânio enriquecido está "claramente a ser abordada" nas negociações com o Irão, admitindo que Teerão ainda não deu luz verde.
O destino do urânio enriquecido constitui um dos pontos mais difíceis para alcançar um acordo que ponha fim à guerra.
Ainda sobre a guerra no Irão, o presidente norte-americano analisou a sucessão no poder em Teerão após o início do conflito armado e revelou que Mojtaba Khamenei, que descreveu como "mais racional", ficou "bastante ferido" no ataque em que o seu pai morreu.
Sem dar detalhes concretos, Donald Trump sugeriu também que os serviços de informações do seu país dispõem de informação precisa sobre o paradeiro de Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde que ficou ferido no bombardeamento israelita que matou o pai e o seu antecessor durante o primeiro dia das hostilidades.
"Não quero dizer se sei ou não onde ele está, mas há uma forte probabilidade de o saber", afirmou Trump, acrescentando que ao Irão "restam alguns mísseis e alguns drones".
"Diria que, em termos percentuais, talvez 21% ou 22% dos seus mísseis sejam mísseis inteligentes, mas já não é o que era quando atacámos pela primeira vez", disse Trump.
Trump afirmou também que o Irão "não tem outra opção" senão negociar com Washington, mas que ainda não aceitou um acordo para pôr fim à guerra porque os seus líderes são "fortes" e "orgulhosos".