A discussão ganha ainda mais relevância depois de, em Março deste ano, a autoridade nacional do medicamento e produtos de saúde, o Infarmed, ter ordenado a retirada imediata do mercado de um cosmético para rejuvenescimento da pele, o 'Dives Med / Glow X9 Biorevitalization Peel 4ml'. Segundo o Infarmed, o produto continha fenol na sua composição, um ingrediente proibido em produtos cosméticos.
No DIÁRIO, o tema ganhou particular relevância, depois de um caso reportado cá na Região, envolvendo procedimentos estéticos que terão corrido mal. Em causa estarão alegados tratamentos de harmonização facial e peelings químicos, com suspeitas de utilização de fenol, que terão resultado em complicações como queimaduras e necessidade de eventuais correcções através de cirurgia plástica.
Mas afinal, o que é o fenol e porque está associado a riscos tão elevados?
O que é o fenol?
O fenol é uma substância química também conhecida como ácido carbólico. Trata-se de um composto orgânico utilizado há décadas na indústria e na medicina, sobretudo pelas suas propriedades antissépticas e cáusticas. Em termos simples, é uma substância altamente corrosiva, capaz de destruir tecidos e células quando aplicada em determinadas concentrações.
Porque é considerado perigoso?
O principal problema do fenol é a sua toxicidade. Quando utilizado de forma inadequada ou em concentrações elevadas, pode provocar queimaduras graves na pele, lesões profundas nos tecidos, absorção para a corrente sanguínea, efeitos tóxicos no fígado, rins e coração, e ainda risco de complicações sistémicas potencialmente graves.
Por este motivo, o seu uso não é comparável ao de substâncias cosméticas comuns.
O seu uso na estética
Em Portugal, como noutros países europeus, o uso de substâncias como o fenol em contexto estético é altamente restrito e não autorizado fora de ambientes médicos devidamente controlados. Isto significa que não pode ser utilizado livremente em salões de estética ou por profissionais não habilitados para procedimentos médicos. A razão é simples, trata-se de um agente químico agressivo, cujo uso incorrecto pode ter consequências graves para a saúde.
O tema tem sido acompanhado por parte de profissionais de saúde, como a presidente do conselho regional da Ordem dos Médicos Dentistas, Catarina Cortez, que, na edição impressa do DIÁRIO do dia 23 de Maio passado, alertou que apenas profissionais com formação adequada conseguem avaliar correctamente os efeitos destas substâncias no organismo, sublinhando que a escolha de produtos e a sua aplicação dependem de conhecimento profundo do corpo humano.
A responsável alertou ainda para a facilidade com que determinados produtos podem ser adquiridos fora dos circuitos legais, muitas vezes através de compras online. Segundo explicou, existe um “mercado negro” de produtos estéticos, em que nem sempre é verificada a qualificação de quem os compra, o que pode aumentar o risco para os consumidores.
O enquadramento legal e a segurança
A utilização de substâncias químicas em estética está sujeita a regras rigorosas de segurança e autorização. Apenas determinados produtos cosméticos, devidamente aprovados, podem ser aplicados em contexto não médico.
Procedimentos com substâncias mais agressivas, como o fenol, estão reservados a profissionais de saúde e a contextos clínicos específicos, precisamente para reduzir o risco de complicações.
O fenol não é um produto cosmético comum, mas sim uma substância química altamente corrosiva e potencialmente perigosa quando mal utilizada. Apesar de ter aplicações médicas muito específicas, o seu uso em estética é fortemente limitado e deve ser sempre enquadrado por profissionais de saúde e em contexto clínico.