Élvio Sousa desafia PSD/CDS a passar das promessas à acção no ferry
O secretário-geral do JPP acusou hoje o PSD e o CDS de continuarem a adiar a concretização da ligação marítima regular por Ferry entre a Madeira e o Continente. Élvio Sousa considera que os madeirenses estão “fartos de promessas, anúncios e estudos”, sem que existam decisões concretas para resolver um problema que se arrasta há décadas.
O líder recordou que terminou este mês de Maio o prazo previsto para a conclusão do estudo económico-financeiro sobre a criação de uma linha regular de transporte marítimo de passageiros e carga rodada entre a Região Autónoma da Madeira e o Continente.
Élvio Sousa afirmou que os madeirenses “há anos que ouvem promessas sobre a criação de uma ligação ferry regular” e assistem a “anúncios, intenções, estudos e declarações de compromisso”, mas continuam sem ver resultados concretos.
O dirigente do maior partido da oposição acusou ainda o PSD e o CDS de assumirem publicamente que defendem a ligação ferry, mas de adoptarem uma postura contraditória na prática. “Numa altura em que o JPP apresentou uma proposta para garantir uma segunda rampa alternativa à acostagem de um ferry, o PSD e o CDS rejeitaram a realização de um estudo destinado a avaliar essa solução logística”, afirmou.
Para o secretário-geral do JPP, a decisão levanta dúvidas sobre a verdadeira vontade política de criar as condições necessárias para a futura operação marítima. “Se o propósito é criar condições logísticas para uma ligação ferry, por que razão recusaram estudar a criação de uma segunda rampa e de um terrapleno dedicado, quando são conhecidas as limitações operacionais da única infraestrutura atualmente existente no Funchal?”, questionou.
Élvio Sousa defendeu que “quem deseja verdadeiramente um ferry apressa-se a criar condições e a eliminar obstáculos”, considerando que a recusa de soluções alternativas demonstra falta de compromisso com o projeto.
Nas declarações, o líder do JPP afirmou ainda que o Governo da República “prometeu tomar todas as diligências necessárias para lançar um concurso público internacional destinado à criação de uma linha marítima regular de passageiros e carga rodada entre a Madeira e o Continente”, conforme previsto no Orçamento do Estado, mas acabou por optar pela realização de um estudo económico-financeiro.
Segundo recordou, o caderno de encargos desse concurso estabelecia o final de maio de 2026 como prazo para a entrega do estudo, questionando se os madeirenses serão confrontados com “mais uma surpresa” após a conclusão do processo.
O secretário-geral do JPP manifestou igualmente preocupação com aquilo que classificou como “manobras políticas e tecnocráticas” destinadas a adiar decisões, defendendo que compete ao Estado garantir às regiões autónomas instrumentos eficazes para assegurar a continuidade territorial.
Para Élvio Sousa, a ligação Ferry “não é um luxo nem uma obsessão política”, mas sim “um instrumento estratégico para reforçar a mobilidade, reduzir custos de transporte, aumentar a concorrência, apoiar as empresas, estimular o turismo e fortalecer a coesão territorial da República”.
O dirigente partidário sustentou ainda que, caso o JPP estivesse no Governo, a ligação marítima regular já estaria preparada para entrar em funcionamento.
“Quem quer verdadeiramente um Ferry cria condições para ele existir. Quem rejeita infraestruturas, adia concursos e substitui decisões por estudos está apenas a prolongar um problema que a Madeira espera resolver há décadas”, concluiu Élvio Sousa.