A China e o Ocidente no Tabuleiro Tecnológico Mundial
A tecnologia e a inovação tornaram-se elementos decisivos nas relações internacionais contemporâneas. A trajetória da China desde a sua adesão à Organização Mundial do Comércio, em 2001, ilustra-o bem. O país, que inicialmente ancorou o seu crescimento num sector de manufatura, atravessa hoje uma transformação estrutural, marcada pela ascensão dos sectores de alta tecnologia e pela substituição das indústrias de menor valor acrescentado.
O dinamismo tecnológico chinês reflete-se no aumento do emprego qualificado e na consolidação de capacidades industriais avançadas. A abertura económica do início do século XXI permitiu ao país asiático integrar-se nas cadeias globais de valor, reforçando a sua competitividade e ampliando o seu peso estratégico na economia mundial. Paralelamente, a aposta em investigação e desenvolvimento tornou-se um pilar da política económica chinesa, elevando o investimento em 3% do PIB nesta área até 2030, um sinal claro de que o futuro chinês assenta na capacidade de gerar conhecimento e converter inovação em produtividade.
A competição tecnológica entre a China e os EUA molda hoje o panorama internacional. Cada potência segue um modelo distinto: a China privilegia a escala, a engenharia aplicada e a capacidade industrial, o que lhe confere vantagens em sectores como baterias, energia solar, drones e veículos elétricos; os EUA sustentam a sua posição na ciência de vanguarda, no talento altamente qualificado e nos ecossistemas de capital de risco que financiam projetos ambiciosos muito antes da sua maturidade comercial.
Estas diferenças refletem-se também na formação de talento. A China forma um número muito superior de especialistas em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, orientando esse capital humano para prioridades estratégicas definidas pelo Estado, enquanto o Ocidente (EUA e Europa) produz menos engenheiros e enfrenta maiores dificuldades em alinhar a formação académica com objetivos nacionais de longo prazo.
Nesta nova arquitetura tecnológica, a Europa encontra se numa posição delicada. Apesar de dispor de universidades sólidas, regulação rigorosa e talento científico, carece da escala de capital de risco e da agilidade empresarial que caracterizam os EUA, o que limita a sua capacidade de transformar conhecimento em inovação competitiva à escala global.
Em suma, a ascensão tecnológica da China e a rivalidade com os EUA estão a redefinir o poder global, colocando a inovação no centro da competição estratégica. Para a Europa, o desafio consiste em afirmar a sua autonomia e capacidade de investimento, evitando perder relevância num sistema internacional cada vez mais moldado pela dinâmica entre Washington e Pequim.