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Estendendo a mão à caridade

Então não vamos aos mesmo supermercados? Não temos um custo de vida igual? Não enfrentamos doenças iguais?

Já todos sentimos na pele o custo de vida, já nem os governantes conseguem esconde-lo. O presidente do Governo Regional, Dr. Miguel Albuquerque, já veio a público reconhecer que o turismo está a pressionar a inflação na Madeira. Então porque o GR não recorre, como eu já sugeri, à plataforma “Simplifica” quando compramos bens e serviços, para nos diferenciar dos turistas que têm maior poder de compra? Todavia, em minha opinião, a inflação descontrolada não se deve apenas a isso. É o capitalismo selvagem que esmaga as pequenas e médias empresas e controla a inflação a seu belo prazer. A pobreza extrema não tem que ser uma fatalidade, só o é porque os grandes grupos controlam os governos e implementam sorrateiramente a escravatura moderna onde as pessoas trabalham sem conseguirem ganhar para fazer face às despesa, enquanto alguns controlam os “escravos” com o seu grande poder financeiro. Quanto maior é o custo dos produtos mais o Estado ganha em percentagem e mais os grandes lobbies lucram porque inflação gera percentagens. Então é justo a população apertar o cinto para que os grandes lobbies e o Estados encham os cofres? É justo que as petrolíferas, os Bancos e os impostos cresçam à custa de quem trabalha sem condições para ter uma vida digna? É justo que um casal a trabalhar, não consiga pagar uma renda de casa? É justo que vivamos numa sociedade onde os políticos estão bem, o Estado, os grandes lobbies e os gestores vivam à “tripa forra” de quem sustenta este país? Nós não queremos ser pedintes a estender a mão à caridade do Estado, queremos dignidade e que o nosso trabalho sustente as nossas famílias, as nossas despesas. Que sociedade é esta? Que democracia é esta? Só servimos para sustentar gestores e pagar impostos? O grande estadista Churchill, proferiu um dia a célebre frase, embora noutro contexto: “nunca tantos devem tanto a tão poucos”. Esta indesmentível verdade assenta como uma luva ao tempo atual onde mais de 90% da população mundial trabalha para meia dúzia de lobbies?

Digam-me se isto faz sentido e se não é caso para gerar revolta. A comunicação social anunciou, um dia destes, que os gestores das grandes empresas portuguesas, Bancos, TAP, petrolíferas e outros, em 2025, ganham 53 vezes mais, anualmente, que os trabalhadores comuns especializados. Ou seja, em média, cerca de 400 mil euros mês, enquanto um profissional ganha em média 1.600 € mês. Se as empresas precisam de gestores também não sobrevivem sem trabalhadores. Justifica-se esta diferença abismal nos salários? Sem mencionar os reformados com reformas de 400€/mês. Então não vamos aos mesmo supermercados? Não temos um custo de vida igual? Não enfrentamos doenças iguais? Anote-se esta realidade: um gestor pode levar uma empresa à falência mas um trabalhador não pode fazer isso. Depois são os contribuintes, com salários miseráveis, que são chamados a pagar as crises. Ex: TAP, Bancos e outros. Terá de haver justiça e equidade para que a democracia possa sobreviver. É por isso que eu afirmo, sem sobra de dúvida, que este modelo de economia não serve ao Mundo porque coloca em risco a estabilidade democrática. Já o afirmei e reafirmo, certamente, será implementado, a breve ou médio prazo, um novo modelo de economia onde o Estado, democraticamente eleito, tenho controlo sobre os grandes grupos económicos que têm dinheiro para “comprar o Mundo”. Os governos, todos eles, já estão reféns do poder económico descontrolado. Por isso já não conseguem controlá-los. Então se o Estado controla o mais pequeno pormenor da vida do cidadão porque não pode controlar os lucros obscenos? Se tudo é supervisionado, porque não são os grandes lucros? Todos os males da sociedade advêm dos lucros descontrolados; negócio da droga, da corrupção, da lavagem de dinheiro e negócio de armamento. Isto não tem que ser assim, só é preciso coragem para mudar ou então não vale a pena votar, condição “sine qua non” para existência da democracia. Faz algum sentido que o Governo, e todos nós, vamos enfrentar uma greve geral no dia 3-6-26 por não chegarem a acordo por meia dúzia de euros, contudo consegue-se 900 mil milhões - não estou contra só constato factos - para alimentar guerras?

Apenas mais um exemplo porque não tenho espaço para mais; O Presidente do GR, um “petite Salazar” que quer mostrar ao Continente que governa a Região mais rica do país, contudo, por muito que queira, nunca será a “Singapura do Atlântico” que o seu PSD almejava, enquanto tiver cidadãos a estender a mão à caridade porque trabalham um mês inteiro e não consegue cobrir as despesas diárias.