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Gesso ou uma aspirina basta?

Circula pela internet um vídeo de uma jornalista da Deusche Welle, televisão internacional da Alemanha, sobre o que, para eles, é o estado actual do turismo da Madeira.

Muito resumidamente, fala de alguns pontos de constrangimento, do excesso de turistas em algumas horas em determinados locais e da sensação que passa de cada vez que se descarregam milhares de pessoas na cidade do Funchal, quando cá param barcos de cruzeiro.

A reportagem até tem o seu quê de didático porque apresenta algumas sugestões para que o visitante possa escapar por entre o que parecem ser hordas de turistas que, em barda, assaltam as nossas cidades, serras e mares.

A certa altura, a dita jornalista entrevista o nosso Secretário, que parece surpreendido pela abordagem. Ao mesmo tempo que nega o que para a senhora são as evidências atrás descritas, responde com uma série de medidas tomadas para resolver problemas que ainda há dois segundos atrás não existiam, o que não foi um bom momento mas percebo a dificuldade de sair bem dali. O mal no entanto é outro e bem maior do que um breve momento televisivo.

Fiquei como que com a sensação de estar a ver uma criança a roubar pastilhas elásticas num supermercado. Está tudo bem desde que ninguém a apanhe e, se porventura for topada, a tática é negar até ao fim, até porque a criança pode sempre contar com a credulidade dos seus pais, que de maneira nenhuma vão acreditar que um ser gerado por eles é capaz de tamanho pecado.

Mas as pastilhas elásticas foram efetivamente furtadas…

Eu até percebo a narrativa. A do crescimento há 59 meses consecutivos e do aumento do investimento privado. Da redução da dívida e do saldo positivo das contas públicas. Do aumento dos níveis de confiança e do rating, que é o melhor até “para lá da Taprobana”. O rol é extenso mas vou parar por aqui que não há caracteres que cheguem para tamanho feito, que não quero de todo desvalorizar, atenção!

No que tenho dificuldade é nesta negação das consequências. Porque não houve alteração de modelo, ele assenta no mesmo de sempre: - turismo, construção civil (e obras públicas) e pleno emprego, nem que seja espremendo mais um espacinho na função pública, onde parece caber sempre mais alguém.

Até compreendo, em face das responsabilidades, que se tente dourar um pouco a pílula mas gostava de pensar que, ao menos no silêncio dos gabinetes, já perceberam a dimensão do problema, que não se resolve com uns paliativosinhos.

Não se trata uma perna partida com aspirinas, isso é garantido! E parece que a opinião de quem nos visita, os nossos clientes, as pessoas para quem trabalhamos, é que a perna está mesmo partida. Tratemos, com urgência, de ir pôr um gesso nisto, mesmo que se continue a dizer que a aspirina resolve…