Complicar o que é simples
Nunca tendo governado mais do que a minha própria casa, diria que o segredo do bom governo, de qualquer governo, é manter as coisas simples e partir os problemas difíceis em vários de forma a torná-los geríveis.
Lembro-me de viajar para Lisboa e Porto a preço fixo. Não entendo o fixação fundamentalista com o mercado. O preço de residente devia estar contratualizado... O residente paga x à transportadora e o Estado paga y. Sempre o mesmo. E o transportador disponibiliza, obrigatoriamente, parte dos lugares a residentes. Esta percentagem não tem de ser sempre a mesma, podendo variar com a hora do dia ou a estação do ano. O resto dos lugares do avião são da transportadora, que os vende como quiser (cliente final ou operador turístico) e ao preço que quiser.
Imagine-se que este x é 50, e que o y também é 50. Vantajoso para todos, inclusive a transportadora, que vai receber mais por estes lugares do que o preço corrente. Mas também para o Estado, que vai pagar menos do que no modelo corrente, e tamém para o cliente regional, que saberá pelo menos com o que conta, em qualquer altura do ano.
Não tem de ser para todos, mas teria de ser para todos os que quiserem operar as linhas de serviço publico... Estou já a imaginar que este tipo de modelo não interessará à Easy Jet, ou à Ryanair... não é obrigatório... quem não quiser voar para a Madeira... não é obrigatório.
Sugeria também que parte dos voos do dia fosse feito, obrigatoriamente, com wide bodies, apenas porque estes voos têm sempre disponibilidade adicional de carga. Assim, não haveria um voo cargueiro por semana, mas um ou vários contentores aéreos duas ou três vezes por dia.
Espaço de carga abundante e frequente, um incentivo perfeito para os sectores de exportação da Madeira.
O resto dos bilhetes seria vendido aos preços que a ou as transportadoras quiserem. E se os modelos continuarem a gerar voos muito baratos... nada impede um residente de comprar um bilhete no mercado aberto.
Um modelo justo, aberto e transparente para todos os que quiserem operar a linha da Madeira.