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Até que a voz me doa

Sem dúvida alguma, o mundo tem falta de “homens bons”

Nestes dias, voltei a deparar-me com esta frase de Rui Barbosa de Oliveira: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Rui Barbosa foi político, jurista, advogado, diplomata, escritor, filólogo, jornalista, tradutor e orador brasileiro que viveu entre 1849 e 1923.

Apesar de antiga, esta frase continua a retratar a realidade atual. Na ânsia de entrarem na roda dos jogos de poder, muitos cedem. Porque julgam que, desta forma, terão acesso a mais regalias, ou de que dalguma forma estarão mais protegidos.

Esquecem-se que, quem tudo cede, sobretudo quem vende a sua consciência em troca de favores, corrompe o seu carácter e a sua essência. Esquecem-se que acabam por se tornar marionetas num teatro de fantoches. Esquecem-se que, em tudo na vida, há consequências. E acabam por transformar-se no tipo de pessoas com quem se rodeiam.

Sem dúvida alguma, o mundo tem falta de “homens bons”. Daqueles que sabem quando dizer sim e quando dizer não. Dos que, ainda sendo imperfeitos, preocupam-se com o próximo e com a comunidade onde vivem.

A determinada altura do seu pontificado, o Papa Francisco incentivou a presença de mais cristãos na política. É preciso demonstrar bondade e humanidade com quem precisa, sem ingenuidade. É preciso ter coragem de dizer o que está certo, ainda que isso contrarie quem está no poder.

Precisamos de mais “homens bons”. Não necessariamente de cristãos, mas de todos aqueles que se preocupam verdadeiramente com a comunidade. Que não estejam na política apenas para defesa dos seus interesses pessoais, num desejo exacerbado de estar dentro dos jogos de poder.

A nível internacional, estamos a ser confrontados com guerras importantes que devem merecer a nossa atenção. Ucrânia, Palestina, Líbano, Irão devem preocupar-nos. O impacto destas guerras não está circunscrito aqueles territórios, nem têm impacto apenas naquelas populações.

Todos estamos já a sofrer as consequências das decisões dos líderes políticos que decidiram iniciar estes conflitos bélico. Líderes egocêntricos, manipuladores, jogadores, envaidecidos com poder que não são deles. Líderes cujo poder lhes foi concedido pelo povo, através de eleições. Por agora, já conseguiram provocar-nos amargos de boca quando abrimos a carteira.

O povo tem um poder que muitas vezes não exerce – a pressão política. Todos deveríamos, nas nossas interações, manifestar a nossa opinião contra estas guerras, se for essa a nossa opinião. Porque se há algo que os políticos têm medo é da opinião pública.

Deveríamos também aprender com o que se passa a nível mundial e refletirmos sobre o processo de escolha dos líderes políticos. Ora vejamos - muitos dos que votaram em Trump para Presidente já se arrependeram. Mas, não era evidente o perigo de que iria fazer asneira depois do que se passou no seu primeiro mandato? Tenhamos agora a capacidade para olhar para a nossa realidade nacional e regional e aprender.

O que têm em comum Trump, Putin e Netanyahu? Uma equipa governativa que não se cansa de dizer amém a tudo o que dizem e fazem os seus líderes. Todos os que se atrevem impor travão, ou manifestar discordância, da linha de orientação são afastados.

Na verdade, chega-me a dar pena daqueles que, atraiçoando a sua consciência, rastejam por migalhas que nunca chegam. E quanto são importantes os “dissidentes” para o bem comum e na luta contra as mais variada injustiças. Verdadeiros heróis!

Da minha parte, recuso-me a deixar de defender a honra e a virtude e a lutar pelo que considero ser o mais justo e correto. Até que a voz me doa.