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Guerra no Irão Mundo

Complexo petroquímico atingido por ataque aéreo

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As autoridades iranianas indicaram hoje que um complexo petroquímico no sudoeste do país foi alvo de um ataque aéreo norte-americano ou israelita, que não causou vítimas.

O diretor de relações-públicas da Companhia Petroquímica Amir Kabir, em Mahshahr, afirmou que uma unidade do complexo foi atacada, segundo a agência de notícias Mehr. 

O ataque aéreo ocorreu pouco antes da meia-noite (hora local) e não fez vítimas, disse à agência o vice-governador da província do Khuzistão.

O Presidente norte-americano deu ao regime iraniano até às 20:00 de Washington (01:00 de quarta-feira em Portugal continental) para aceitar abrir o Estreito de Ormuz, sob ameaça de destruir as infraestruturas vitais do regime de Teerão.

A empresa, que produz polietileno, foi incluída na lista de sanções dos Estados Unidos em fevereiro de 2023.

No sábado, foi também atingida uma empresa nesta zona económica especial petroquímica, matando cinco pessoas, segundo o vice-governador da região.

Desde o início dos ataques norte-americanos e israelitas, em 28 de fevereiro, o Irão bloqueou parcialmente o trânsito no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundial, permitindo apenas a circulação de navios de países considerados aliados, o que contribuiu para a subida dos preços da energia.

Washington exige que o regime iraniano volte a deixar passar todos os navios no Estreito de Ormuz.

As tensões mantêm-se elevadas, com relatos de suspensão de contactos diretos entre Teerão e Washington, num contexto de intensificação dos ataques militares e de crescente incerteza quanto à evolução do conflito.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reiterou hoje o ultimato de Trump para o regime iraniano "aproveitar a oportunidade e chegar a um acordo com os Estados Unidos".   

Entretanto, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, informou que poderão surgir novos desenvolvimentos ainda hoje, sem esclarecer se existem condições para retomar negociações com o Irão.

O representante iraniano junto das Nações Unidas (ONU) garantiu hoje que Teerão tomará medidas imediatas e proporcionais caso o Presidente norte-americano, Donald Trump, concretize as ameaças de ataque.

Amir Saeid Iravani afirmou hoje, perante o Conselho de Segurança da ONU, que Teerão não ficará de braços cruzados caso Trump leve adiante as ameaças de "crimes de guerra".

Iravani afirmou que as ameaças feitas hoje por Donald Trump, de que "toda uma civilização morrerá" se o Irão não chegar a um acordo, "constituem incitamento a crimes de guerra e potencialmente a genocídio".

Durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani instou a comunidade internacional a denunciar a retórica de Trump antes que seja tarde demais.

"O Irão não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão hediondos. Exercerá, sem hesitação, o seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais", afirmou.

Em causa estão as recentes declarações do Presidente norte-americano, que ameaçou que "uma civilização inteira morrerá esta noite" se o regime iraniano não reabrir o Estreito de Ormuz. 

"Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá", afirmou Trump numa mensagem publicada nas redes sociais, referindo que as próximas horas vão testemunhar "um dos momentos mais importantes" da História mundial.