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Madeira

Reconversão da vinha dividia viticultores há 30 anos

‘Canal Memória’ ruma a 1996

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Os viticultores nortenhos estavam divididos, há 30 anos, sobre a reconversão da vinha. Em Abril de 1996 faltava menos de um ano para o fim da comercialização autorizada dos produtos directos de jaqués, canim e argum, mas os agricultores não estavam convencidos.

Numa reportagem realizada pelo DIÁRIO, publicada a 7 de Abril, dávamos conta do reforço dos apoios europeus para a conversão dos terrenos. A comercialização de castas como o jaqué e o americano dariam então lugar a castas nobres como o malvasia, boal, verdelho, terrantez, entre outras, aprovadas pela Comunidade Europeia.

No fundo, o que os agricultores queriam eram garantias de apoio. Durante algum tempo, devido à conversão, as castas não iriam produzir, pelo que perderiam esse rendimento. Por outro lado, não tinham certezas dos lucros que iriam obter com as castas nobres.

“Até parece que desejam acabar com a gente ... Disseram que a cana-de-açúcar não prestava, para substituirmos pelos vimes. Depois, estes já não prestavam, quem prestava era a banana. Agora, é a banana e a vinha que estão ameaçadas. Já andam por aí a dizer que a melhor opção são os frutos subtropicais”, afirmava Manuel Conceição Júnior.

A conversão acarretava outro problema: uma necessidade de maior cuidado. As uvas jaqué apenas precisavam de poda, mas as castas nobres precisam de cuidados permanentes e não havia interessados em trabalhar no sector.