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Desporto não é só diversão!

Tenho pena que no nosso país não se dê importância terapêutica ao exercício físico

Depois de algumas alterações e variantes do nosso “modus vivendi”, a nossa preocupação continua a ser á volta da família, dos amigos, das nossas responsabilidades profissionais e finalmente da nossa ocupação dos tempos livres e de lazer. Começando pela actividade profissional, esta é muito variável, com alguns trabalhos considerados “duros”, mais difíceis, com maior responsabilidade, pessoal ou mesmo inerente á profissão, outros mais simples e mais fáceis, com responsabilidade relativa. Noutra perspectiva, existem profissões de risco, com perigo real, outras sem qualquer perigosidade, até mesmo as chamaria de pacíficas. Vender apartamentos, por exemplo, é uma actividade profissional desta natureza, pacífica o mais possível, ... a não ser que o referenciado comprador, venha visitar o local do edifício em causa, acompanhado dum “cão de fila brasileiro”, sem o devido açaime instalado.

As profissões chamadas “militarizadas”, os bombeiros por exemplo, têm dificuldades acrescidas e até perigosas, no decurso da proteção e de apoio ás populações, em determinadas circunstâncias, ... como ter de salvar pessoas, retirando-as dum prédio em chamas. No respeitante á família e amigos, nada mais fácil do que um convívio saudável, com reuniões musicais, com churrascos, ou então com entretenimentos criativos e/ou artísticos, com boa participação e bom sentido de interrelacionamento. Na ocupação de tempos livres e de lazer, muito se pode optar, com jogos de cartas ou similares, com actividades desportivas, estas com muitas alternativas, umas mais musculadas do que outras, mas todas elas com capacidade para melhorar o corpo e a alma, ... ou o físico e o psíquico, algumas delas mais adequadas do que outras. Podem á partida separar-se, com características individuais ou em equipa, ou ainda poder usar um animal - na equitação - ou um objecto - no desporto náutico, tipo vela ou canoagem. Todas elas capazes de melhorar o nosso “ego”, a nossa “testa”, a nossa musculatura, conseguindo também fornecer competências. Algumas modalidades desportivas, podem interferir com patologias muito específicas - doenças reconhecidas e diagnosticadas - com interferências coadjuvantes para o seu tratamento ou melhoramento dos sinais e/ou sintomas. A fibromialgia é uma delas, referenciada como uma patologia com dor músculo-esquelética generalizada, apresentando exames analíticos, normalmente sem alterações justificativas importantes, que pode melhorar ou até inactivar-se, com uma prática activa e variada de algumas modalidades, quer individualmente, quer em grupo. E particularizando, escolheria actividades em meio aquático, outras como o yoga, o judo ou o karaté, aulas de grupo em ginásio devidamente equipado, de modo a promover uma interferência permanente com o maior número de músculos possível e com a sua coordenação. Outra situação patológica “muito na moda”, conhecida como um défice de atenção, que é considerado um transtorno neurobiológico com défice nos neurotransmissores cerebrais, com características diversas e que pode melhorar significativamente, com actividades desportivas individuais, com confronto físico, do tipo defesa pessoal ou mesmo de combate e exemplificando, temos o judo, o karaté, o jin-jitsu e o taekwondo. Naturalmente todos sabemos que as actividades desportivas podem ser federadas ou de competição. E até podem ser profissionalizadas. Mas quando se pretende usufruir ao mesmo tempo de uma actividade desportiva com uma utilidade terapêutica desta natureza, devemos optar por uma escolha individual, em particular com confronto físico individual. A concentração que é exigida no exercício escolhido, é importante para oferecer essa disponibilidade, algumas vezes inata, outras vezes adquirida. Qualquer actividade desportiva deve ser adaptada ás circunstâncias, á idade do praticante, ás suas capacidades e disponibilidades inerentes, ao efeito relaxante e “musculante” de umas e de outras e ao patrocínio de um convívio saudável, para uma sanidade física e mental. No desporto de grupo, todos “trabalham” para o mesmo efeito comum ... uns mais do que outros ... no individual, cada um é responsável por si próprio e pela sua prestação. E esta diferença é particularmente importante, quando existe uma situação patológica de base. Mas todas elas podem e devem ser um divertimento, nunca uma perda de tempo ou um sacrifício.

Tenho pena que no nosso país não se dê importância terapêutica ao exercício físico. Numa forma organizada e escolhida a dedo. Andar ou correr na rua, com os headphones activos, não é desporto! Mas é claramente melhor do que estar sentado no sofá a comer pipocas ou chocolates! Entre o A e o Z existem 24 letras opcionais! No desporto também existem muitas opções. E a escolha tem de ser a mais acertada, ...para cada qual, ...evidentemente!

P.S. Todas as semanas temos acidentes nas nossas montanhas, com mortes,... que me parecem passar despercebidas! Os caminhantes estarão devidamente vestidos e calçados ou é pura e simplesmente negligência individual? Será que não se consegue resolver este problema de “alto risco” regional?