Na escola... O Jesus de Abril!
- Bom dia, Sr. Professor.
- Bom dia. Posso saber a que se deve esse cumprimento com tanto fervor?
- Pode, sr. Professor. A turma em reunião, decidiu pedir-lhe para que sobre o 25 de Abril nos desse um esclarecimento, uma lição, já que sobre esse dia dentro das nossas cabeças existe muita confusão.
- A aula de hoje não tinha esse tema selecionado, mas não quero deixá-los dececionados.
-Sr. Professor, muito obrigado.
- Estejam atentos, sem falar, porque a aula vai começar.
Talvez não seja muito verosímil comparar Jesus com o 25 de abril, mas em determinadas circunstâncias existem algumas semelhanças, e, atendendo, que vivemos a Semana Santa bem há pouco tempo, achamos ideal o momento.
Se bem que Jesus tinha cerca de 33 anos antes de se dar a sua morte, e o 25 de Abril não teve -se assim se pode dizer – em termos de vida, essa sorte.
Mas quando nasceu foi como nascesse um Messias, tal encheu o coração do povo de esperança e alegria.
Só que não foi preciso viver anos para ser aplaudido e perseguido, amado e odiado, seguido… e traído.
Este «Jesus de abril» bem chegava ao mundo e já tinha milhentos inimigos de fundo.
Os que eram obrigados a abandonar os tachos, a terem mais decência, a acabar com a sua exploração e prepotência; e uns outros desaustinados, ressabiados por não poderem sugar no passado e que viam no «Jesus de abril» a Liberdade para poderem fazer o que quisessem e entendessem à sua vontade.
Meninas e meninos, após o nascimento do 25 de abril -celebrado com alegria e com cravos - passamos tempos conturbados.
O «Jesus de abril,» não foi crucificado, mas maltratado, traído e morto pouco tempo depois de ter nascido. E, inconcebivelmente, por aqueles que há muito tempo, pediam o seu» nascimento» ou aparecimento.
Tresloucados, incompetentes, inaptos, inconscientes, todos queriam mandar no País naquele tempo.
E tentar impor ideologias, noutros países criminosamente implantadas, que nos levaria a ficar piores do que estávamos.
Foi preciso os países europeus amigos e os Estados Unidos, manifestarem a sua apreensão pelo rumo que estava a levar a nossa Nação, para que os militares dignos e fiéis, saíssem de novo dos quarteis, se juntassem a alguns políticos e personalidades civis de bom senso, e operassem o 25 de novembro.
Foi um grande dia, um novo sorriso de primavera, salvando o País de uma ditadura pior da que tivera, permitindo assim, a nossa entrada na União Europeia.
Contudo, o «veneno» estava de tal ordem espalhado, um pouco por todo o lado, que na realidade não foi possível dar cabo dele na sua totalidade.
Quem falasse em rigor, disciplina, trabalho, justiça, era alcunhado de fascista, os patrões, de exploradores e ladrões e casas abandonadas deviam ser ocupadas e outras barbaridades que só Deus, Nosso Senhor, é que sabe.
Foram muitos anos assim e hoje temos um País com muita coisa de ruim, por ter ainda» pragas», velhas e novas, à volta do Poder, que deviam desaparecer.
Esqueci-me de falar na descolonização tristemente concebida, que deixou irmãos negros e brancos à deriva, mas não posso continuar. A aula tem de acabar.
- Sr. Professor, obrigado. Ficamos mais elucidados. Já andávamos desconfiados, de que algo de mal devia haver depois da alegria e dos cravos.
Juvenal Pereira