Estados Unidos da Europa-EUE

Os países que compõem a União Europeia (UE) e os restantes países europeus terão de dar o passo que falta para passar de uma mera união monetária para uma integração política e administrativa suportada por uma Constituição que defina os termos de uma confederação EUE constituída por todos os países europeus tomando como exemplo os sistemas constitucionais/federais da Alemanha/Suíça, capaz de criar sinergias que permitam mais e melhor desenvolvimento das suas economias, bem como impor-se como uma potência capaz de se fazer ouvir e respeitar na cena internacional, fazendo valer os princípios da democracia, da liberdade, do direito internacional, dos direitos humanos, dos direitos das minorias e de todos os avanços civilizacionais de que a Europa foi a percursora.

A deriva contraditória e até antidemocrática, subvertendo os princípios do direito internacional, fazendo tábua rasa da NATO ameaçando os aliados enquanto pactua com o expansionismo belicista e criminosos de Putin com a invasão russa da Ucrânia, a imposição unilateral de taxas ao arrepio dos acordos livremente subscritos que regulam o comércio internacional por parte do atual presidente dos EUA, leva a que os países europeus se unam não só contra a ameaça russa desde sempre latente, mas também contra as ameaças daquele que julgavam ser um aliado fiável e perene os EUA.

Seria pouco avisado pensar que Trump é apenas um epifenómeno e que quando ele sair de cena tudo voltará ao que era dantes, já que a seguir a ele poderão vir outros tão maus ou piores do que ele.

Fazer da Europa dividida um País e uma potência capaz de ombrear com as atuais potências mundiais, implicará mais do que perder partilhar soberania e isso seria um “custo” menor para obter um bem maior os EUE capazes de se impor globalmente não a copiar os atuais atropelos ao direito internacional de Rússia e EUA com o seu rasto de mortes e destruição, mas contribuindo para a preservação da paz no mundo através do respeito pelas Convenções assinadas pela esmagadora maioria dos países nomeadamente por aqueles que atualmente as infringem, afirmando-se como uma potência com o poder necessário para determinar o seu futuro e influir no equilíbrio geoestratégico mundial, em contraponto às atuais potências cujo objetivo é manter a UE/Europa divididas e vulneráveis.

A ideia não é de hoje e teve vultos notáveis como precursores:

Victor Hugo: “Virá um dia onde as balas e as bombas serão substituídas pelos votos, pelo sufrágio universal dos povos, pela venerável arbitragem de um grande Senado soberano que estará para a Europa, como o Parlamento está para a Inglaterra, como a Dieta está para a Alemanha, como a Assembleia Legislativa está para a França”.

Winston Churchill em 1946 após o fim da 2ª Grande Guerra: “Temos de construir uma espécie de Estados Unidos da Europa, e só dessa forma centenas de milhões de trabalhadores serão capazes de reconquistar a simples alegria e esperança que tornam a vida interessante. O processo é simples. Tudo o que você precisa é o objetivo de centenas de milhões de homens e mulheres, fazer o bem ao invés de fazer o mal e como recompensa bênçãos ao invés de maldições”.

Vivam os Estados Unidos da Europa!

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