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Sem pedir licença

Lisonjeado pela oportunidade de acrescentar este espaço de opinião à história centenária do Diário de Notícias, julgo fazer sentido que, na primeira vez que escrevo, me apresente perante o leitor. Sou funchalense e tenho 27 anos. Licenciei-me em Psicologia e seguiu-se o mestrado em Psicologia da Educação, área em que trabalho. Quanto à vida pública, assumi há pouco menos de um ano a função de vice-presidente da JSD/Madeira e exerço, desde outubro passado, o mandato de deputado na Assembleia Municipal do Funchal. É precisamente por este último contexto que gostaria de começar.

Quando se fala do ciclo político iniciado em 2013 pelo PS no município do Funchal, usualmente diz quem por lá andou nesses anos que a herança era terrível e o estado da arte abominável. Oito anos passaram – muito lentamente – na cidade do Funchal e, entre façanhas diversas como a dívida de 35 milhões de euros à ARM, a irresponsabilidade e a inoperância foram-se tornando modus operandi. E depois alguém que fechasse a porta. Pois bem. Se há coisa que as lideranças do PSD na Câmara Municipal do Funchal têm vindo a fazer, desde 2021, é fechar portas e janelas – até porque oito anos de correntes de ar deixaram áreas estruturantes do município visivelmente doentes. Tudo isto para referir que, à data de hoje, não só a edilidade tem de encontrar soluções para os desafios do presente, como carrega às costas consequências e faturas do passado que continuam a ser pagas por todos nós.

A representação partidária que carateriza vereação e assembleia municipal atuais no Funchal é, aliás, sintomática da absoluta incapacidade desta oposição em ser útil e, sequer, séria. Ora vejamos. O JPP – maior partido da oposição local e regional – professa no Funchal uma religião que onde é poder deixa no adro da igreja. Evoca figuras regimentais que não existem e tem-se tornado especialista em abstenções. Os outros que decidam. Já a bancada do Chega, no meio da barafunda da cruzada da sua direção regional contra os vereadores infiéis, votou contra um Orçamento Municipal que, em reunião de Câmara, mereceu zero propostas de alteração por parte deste partido. Por fim, resta ainda um PS – que em quatro anos passou de primeira para quarta força política do concelho – sempre disponível para revisitar a história a seu belo prazer.

Quem não serve para oposição seguramente não servirá para governar. Também por isso, num fim-de-semana marcado pelo 20.º Congresso Regional do PSD/Madeira, a hora não pode ser de conformismo, mas sim de afirmação de um compromisso. De que há uma nova geração – mais preparada e qualificada do que qualquer outra – que não vai pedir licença para estar na causa pública e para fazer política. Para que ao longo das próximas décadas – nas freguesias, nos concelhos e na Região – a oposição continue a ser oposição e o PSD/Madeira continue a ser o que sempre foi: um instrumento de transformação social ao serviço do povo madeirense.