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Madeira

Economia regional continua no 'verde' mas sofre novo abrandamento

Foto Shutterstock
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O Indicador Regional de Actividade Económica (IRAE) "revela que, em Janeiro de 2026, a economia regional manteve a sua trajectória de crescimento, embora evidenciando um novo abrandamento face ao mês anterior, o quarto consecutivo", informa hoje a Direção Regional de Estatística da Madeira. refira-se que desde que retomou o caminho positivo, em Abril de 2021, o IRAE nunca esteve tão próximo de atingir o nível zero, ou seja, voltar a ser negativo, mantendo contudo os 0,4% face ao período anterior.

A DREM lembra que o objectivo do IRAE é "sinalizar o comportamento da atividade económica, nomeadamente no que se refere à sua direção e magnitude das flutuações: se esta se encontra em terreno positivo ou negativo, as acelerações, desacelerações e a identificação de pontos de viragem", sendo que "o seu valor quantitativo assume, por isso, uma importância secundária, não se apresentando o mesmo como um substituto da variação real do Produto Interno Bruto, a ser apurada com um conjunto mais variado e completo de informação estatística, muito embora haja uma forte correlação entre as duas variáveis".

Atividade Económica

Em janeiro de 2026, a economia regional manteve a sua trajetória de crescimento, ainda que evidenciando sinais de moderação face ao mês anterior.

O número de dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico diminuiu 1,6%, situação que não se verificava desde a pandemia. Os proveitos totais cresceram 8,4%, prosseguindo a tendência de abrandamento iniciada em julho. O RevPAR, por arrasto, evidenciou igual tendência, desacelerando para 7,6% (11,9% em dezembro e 18,2% em julho).

A emissão de energia elétrica manteve-se em crescimento, com um aumento de 3,9%, superior ao verificado no mês anterior (3,0%). Em sentido contrário, a introdução no consumo de gasóleo registou uma diminuição de 2,4%, agravando a redução observada em dezembro (-2,1%).

Por sua vez, a relação entre sociedades constituídas e dissolvidas fixou-se em 3,4 novas sociedades por cada dissolução, valor superior ao observado no mês anterior (2,5).

Indicadores Qualitativos

Em janeiro de 2026, os indicadores de confiança diminuíram, face ao mês anterior, nos setores da Indústria Transformadora e dos Serviços, enquanto registaram melhorias no Comércio e na Construção e Obras Públicas.

Consumo Privado

No mês em análise, a introdução no consumo de gasolina apresentou uma variação homóloga de 5,1%, inferior à registada em dezembro (6,8%), confirmando um abrandamento da dinâmica de crescimento, que se observa desde setembro.

O saldo dos empréstimos concedidos às famílias e às instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias para consumo e outros fins aumentou 9,0%, ligeiramente acima do valor observado no mês anterior (8,9%).

Os levantamentos e compras através de terminais de pagamento automático (TPA) com cartões nacionais cresceram 3,9%, desacelerando face a dezembro (4,5%).

As vendas de automóveis ligeiros de passageiros diminuíram 3,4%, traduzindo uma contração menos intensa do que a observada no mês precedente (-5,8%).

Investimento

Em janeiro de 2026, os indicadores de investimento evidenciaram um comportamento maioritariamente negativo.

As vendas de automóveis ligeiros de mercadorias registaram uma diminuição de 19,6%, contudo, menos acentuada do que a observada em dezembro (-31,0%). Por outro lado, o saldo dos empréstimos concedidos a sociedades não financeiras diminuiu 0,9%, traduzindo-se numa redução mais pronunciada do que a verificada no mês anterior (-0,4%).

A comercialização de cimento também se manteve em terreno negativo, com uma variação homóloga de -4,1%, atenuando, no entanto, a quebra observada em dezembro (-11,8%). Em sentido contrário, o saldo dos empréstimos à habitação concedidos às famílias e a avaliação bancária da habitação aumentaram 8,7% e 20,0%, respetivamente, mantendo uma trajetória de crescimento.

Relativamente ao número de edifícios licenciados, registou-se uma diminuição de 24,3% (-13,2% no mês anterior).

Procura Externa

Em janeiro de 2026, as exportações regionais de bens diminuíram 11,3%, agravando a evolução nula registada no mês anterior. Por seu turno, as importações de bens aumentaram 30,9%, acelerando face ao crescimento registado em dezembro (20,2%).

O movimento de mercadorias nos portos da Região diminuiu 4,6%, invertendo a tendência de crescimento observada no mês anterior.

O tráfego de passageiros nos aeroportos regionais manteve-se em crescimento, registando um aumento de 4,2%, ainda que a um ritmo inferior ao verificado em dezembro (7,4%).

Relativamente aos levantamentos e compras através de TPA com cartões internacionais, observou-se uma diminuição de 0,5%, invertendo o crescimento registado no mês anterior (4,1%).

Mercado de Trabalho

Em janeiro de 2026, o número de desempregados inscritos diminuiu 6,9%, mantendo a trajetória descendente dos meses anteriores, embora menos intensa do que a registada em dezembro (-7,8%).

Os pedidos de emprego registaram uma diminuição de 7,4%, confirmando a continuidade da tendência de recuo, ainda que ligeiramente menos acentuada do que no mês precedente (-7,7%).

Por sua vez, as ofertas de emprego acentuaram a redução, registando uma variação homóloga de -21,5%, após a queda de 18,3% observada em dezembro.

Preços

A taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) abrandou para 2,3% em janeiro de 2026, após os 3,1% registados no mês anterior.

A inflação nos bens situou-se em 1,3% (2,1% em dezembro), enquanto nos serviços desacelerou para 3,4%, após os 4,4% observados no mês precedente.

A inflação subjacente, que exclui os produtos alimentares não transformados e energéticos, diminuiu para 2,0%, após os 2,7% registados em dezembro.