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A Guerra Mundo

Rússia rejeita prolongar cessar-fogo decretado para Páscoa ortodoxa

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FOTO ALEXANDER KAZAKOV ; SPUTNIK ; KREMLIN POOL/EPA

A Rússia rejeitou hoje a sugestão ucraniana de prolongar a trégua da Páscoa ortodoxa, mantendo que se destina exclusivamente à festividade do próximo fim de semana e que terá uma duração de 32 horas.

O Presidente russo, Vladimir Putin, anunciou na quinta-feira à noite um cessar-fogo com a Ucrânia entre sábado à tarde e domingo à noite, devido à celebração da Páscoa pelos cristãos ortodoxos.

A trégua tinha sido proposta no início da semana pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que sugeriu na quinta-feira, após o anúncio de Putin, o prolongamento do cessar-fogo.

Questionado sobre tal hipótese, o porta-voz do Kremlin (presidência russa), Dmitri Peskov, reafirmou hoje que o anúncio de Putin se circunscreve à Páscoa ortodoxa.

Peskov referiu que a trégua tem "um caráter humanitário" por se tratar de uma festa sagrada, tanto para russos como para ucranianos.

"Como temos dito repetidamente e como afirmou o Presidente Putin, não queremos um cessar-fogo, queremos a paz: uma paz duradoura e sustentável", afirmou Peskov, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Peskov insistiu que a paz poderia chegar "hoje à Ucrânia se o Presidente Zelensky tomasse as decisões necessárias", e apelou ao líder ucraniano para agir "com responsabilidade e tomar as decisões adequadas".

"Isto já foi dito em repetidas ocasiões", acrescentou, também citado pela agência espanhola Europa Press (EP).

Anteriormente, o Kremlin já tinha rejeitado as propostas ucranianas de um cessar-fogo prolongado.

Moscovo condiciona o fim das hostilidades à aceitação por Kiev das suas exigências, que se mantêm praticamente inalteradas desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, evidenciando a inflexibilidade russa nas negociações.

A Rússia receia que a Ucrânia possa aproveitar uma trégua para reforçar as posições no terreno sem chegar depois a um acordo de paz.

"Este período [36 horas] não permite à parte ucraniana (...) obter vantagem militar, reagrupar-se ou empreender ações que possam alterar a posição militar", declarou hoje o representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo para a Ucrânia, Rodion Miroshnik.

O embaixador acrescentou que "a Rússia não concederá tais favores a ninguém".

O Kremlin anunciou unilateralmente "um cessar-fogo desde as 16:00 [hora de Moscovo, 14:00 em Lisboa] de 11 de abril até ao final de 12 de abril de 2026", sem consultas prévias com os Estados Unidos nem com a Ucrânia.

Este será o quarto cessar-fogo desde o início da guerra na Ucrânia em 2022.

O primeiro foi declarado em 2023 para o dia de Natal ortodoxo, de 06 a 08 de janeiro, e o segundo para a Páscoa de 2025, de 19 a 21 de abril.

Um terceiro cessar-fogo foi declarado de 08 a 11 de maio de 2025, em comemoração do 80.º aniversário da vitória do Exército Vermelho sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

As negociações para encontrar uma solução para o conflito continuam em pausa desde a última ronda trilateral realizada na cidade de Genebra em meados de fevereiro.

A Rússia exige a retirada das tropas ucranianas das regiões que declarou anexadas após ter invadido a Ucrânia, bem como o reconhecimento da soberania russa nos quatro territórios em causa e na Crimeia, que anexou em 2014.

Exige também, entre outras questões, uma redução dos efetivos das forças armadas ucranianas e garantias de que a Ucrânia nunca fará parte da NATO.

Kiev rejeita tais pretensões e exige a retirada das tropas russas da Ucrânia, incluindo a Crimeia, e a reposição das fronteiras de 1991, quando se tornou independente da União Soviética, bem como garantias de segurança em relação à Rússia.

A invasão russa da Ucrânia desencadeou uma guerra que causou centenas de milhares de vítimas civis e militares, e mergulhou a Europa na pior crise de segurança desde a Segunda Guerra Mundial.