Presidente Pezeshkian escreve ao "povo dos EUA" rejeitando ser ameaça
O Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, publicou hoje nas redes sociais uma carta "ao povo dos Estados Unidos", defendendo que Donald Trump está a ser "influenciado e manipulado" por Israel no ataque à República Islâmica.
Pezeshkian denuncia uma campanha de desinformação contra o seu país e pede aos norte-americanos que reflitam sobre a política defendida no passado por Trump de não envolver o país em conflitos no estrangeiro: "Será que o 'America First' é hoje realmente uma das prioridades do governo?", questiona.
O Presidente da República Islâmica nega que esta represente uma ameaça, após afirmar que o regime nunca iniciou uma guerra e que, no atual conflito, iniciado pelo ataque de 28 de fevereiro por forças norte-americanas e israelitas, "procurou um acordo e cumpriu os seus compromissos".
"Apresentar o Irão como uma ameaça", afirma, "é meramente um produto dos caprichos políticos e económicos dos poderosos, da necessidade de fabricar um inimigo para justificar a pressão, manter a dominação militar, sustentar a indústria de armamento e controlar mercados estratégicos".
"Num ambiente como este, se uma ameaça não existe, é inventada", afirma o Presidente iraniano, que sustenta que, se o país tentou melhorar as suas capacidades defensivas, foi em "legítima autodefesa" contra a concentração de forças e bases dos Estados Unidos em torno do Irão.
Na carta, o líder da República Islâmica insiste que o povo iraniano "não nutre inimizades contra outras nações, incluindo os povos dos Estados Unidos, da Europa ou dos países vizinhos".
Critica particularmente Israel, que acusa de tentar desviar a atenção dos seus crimes contra os palestinianos e de utilizar "cada soldado americano e cada cêntimo do contribuinte americano para os seus interesses ilegítimos".
Pezeshkian defende que continuar no caminho do confronto "é mais custoso e inútil do que nunca", mas adverte que na sua história o Irão "sobreviveu a muitos agressores".
O Irão nego hoje ter solicitado um cessar-fogo, como Donald Trump anunciou horas antes nas redes sociais.
As afirmações de Trump são "falsas e infundadas", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, citado pela agência iraniana Mehr.
Antes da notícia da Mehr, a embaixada do Irão em Madrid tinha assegurado numa publicação nas redes sociais que o Irão negava oficialmente ter solicitado um cessar-fogo.
A representação diplomática anexou uma captura de ecrã da mensagem publicada por Trump, de acordo com a agência de notícias espanhola EFE.
"O novo presidente do regime iraniano, muito menos radicalizado e muito mais inteligente do que os predecessores, acaba de pedir um cessar-fogo aos Estados Unidos da América", anunciou Trump, sem especificar a que líder iraniano se referia.
"Considerá-lo-emos [o cessar-fogo] quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desimpedido", assegurou.
Até lá, os Estados Unidos vão continuar a "bombardear o Irão até à aniquilação ou, como dizem alguns, até que regresse à Idade da Pedra!", acrescentou o líder norte-americano.
Trump anunciou antes que vai proferir um "importante discurso" à nação às 21:00 de Washington (02:00 de quinta-feira em Lisboa) sobre a guerra, numa mensagem que surge após uma série de comentários sobre o possível fim do conflito.
O líder norte-americano disse na terça-feira que previa que os Estados Unidos se retirassem do conflito no Médio Oriente em "duas ou três semanas".
Os Estados Unidos iniciaram a ofensiva contra o Irão em 28 de fevereiro, em conjunto com Israel.
O Irão respondeu com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas nos países da região, e com o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio petrolífero mundial.
A guerra provocou mais de três mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano.