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Antioxidantes travam o envelhecimento?

Os antioxidantes ajudam a proteger as células contra os radicais livres, mas, segundo a DECO PROteste, não existem provas científicas sólidas de que travem o envelhecimento ou tenham efeitos “detox”, como muitas vezes é anunciado.

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Os antioxidantes são frequentemente associados ao rejuvenescimento e à protecção das células contra o envelhecimento. Presentes em alimentos, suplementos alimentares e produtos cosméticos, substâncias como a vitamina C, vitamina E, betacaroteno, retinol ou coenzima Q10 são muitas vezes promovidas como aliados contra os radicais livres. No entanto, segundo a DECO PROteste, as promessas mais comuns nem sempre são sustentadas pela evidência científica.

O que fazem os antioxidantes

De acordo com a DECO PROteste, os antioxidantes são moléculas que ajudam a proteger as células contra os danos provocados pelos chamados radicais livres. Estas moléculas instáveis são geradas naturalmente durante o metabolismo do organismo e também devido a factores ambientais, como a poluição, o fumo do tabaco ou a radiação ultravioleta.

Quando estão em excesso, os radicais livres podem provocar stress oxidativo, um desequilíbrio que pode danificar lípidos, proteínas e ADN. Este processo está associado ao envelhecimento celular e pode contribuir para o desenvolvimento de doenças como problemas cardiovasculares, alguns tipos de cancro e doenças neuro degenerativo.

Os antioxidantes ajudam a neutralizar estes radicais livres, contribuindo para manter o equilíbrio celular. O organismo possui mecanismos próprios de defesa, mas uma alimentação adequada também desempenha um papel importante.

Promessas “antiaging” e “detox” não têm base sólida

Conceitos como “antiaging”, “protecção celular reforçada” ou “detox” são frequentemente utilizados na promoção de suplementos e cosméticos com antioxidantes. Contudo, segundo a DECO PROteste, a evidência científica disponível não sustenta, de forma robusta, estes efeitos amplamente divulgados.

Apesar de contribuírem para o funcionamento normal do organismo, os antioxidantes não têm “superpoderes” capazes de travar o envelhecimento ou desintoxicar o corpo, como muitas campanhas de marketing sugerem.

Podem existir riscos

A associação de antioxidantes a benefícios universais também não corresponde totalmente à realidade. A DECO PROteste alerta que a ingestão de doses elevadas, sobretudo através de suplementos, pode ter efeitos adversos.

Em algumas situações, estas substâncias podem até actuar como pró-oxidantes ou interferir com medicamentos. Por exemplo, a vitamina E pode aumentar o efeito de anticoagulantes, elevando o risco de hemorragias. Já doses elevadas de betacaroteno têm sido associadas a um maior risco de cancro do pulmão em fumadores.

Onde encontrar antioxidantes

A melhor forma de obter antioxidantes é através da alimentação. Muitos alimentos contêm naturalmente estas substâncias, incluindo vitaminas, polifenóis e carotenoides.

Entre os exemplos referidos pela DECO PROteste estão:

·        Vitamina C: citrinos, frutos vermelhos, quivis, pimentos e brócolos

·        Vitamina E: frutos secos, sementes e óleos vegetais

·        Polifenóis: fruta, chá, café, cacau e vinho

·        Carotenoides: cenoura (betacaroteno), tomate (licopeno) e vegetais de folha verde

Alguns minerais, como selénio, manganês, zinco e cobre, também ajudam enzimas do organismo a desempenhar funções antioxidantes.

Suplementos só em caso de necessidade

Segundo a DECO PROteste, os suplementos alimentares com antioxidantes fornecem nutrientes de forma isolada e concentrada, geralmente em comprimidos ou cápsulas. Podem ser úteis para pessoas com carências nutricionais específicas, mas não são necessários para a população em geral.

Uma alimentação variada e equilibrada — rica em vegetais, fruta, leguminosas, cereais integrais, frutos secos e sementes — é suficiente para garantir um consumo adequado destas substâncias.

A organização de defesa do consumidor sublinha ainda que não existe evidência científica sólida de que os chamados “superalimentos”, como bagas de goji, sementes de chia ou abacate, tenham benefícios especiais por si só. O mais importante continua a ser manter uma dieta diversificada e equilibrada, sendo a suplementação recomendada apenas com indicação médica.