Bruxelas garante estar "pronta para agir" para proteger interesses comerciais da UE
A Comissão Europeia garantiu hoje estar "pronta para agir" e proteger os interesses comerciais da União Europeia (UE), após as ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, de represálias a Espanha devido à oposição à guerra contra Irão.
"A Comissão garantirá que os interesses da UE sejam totalmente protegidos. Estamos em total solidariedade com todos os Estados-membros e todos os seus cidadãos e, através da nossa política comercial comum, estamos prontos para agir, se necessário, para salvaguardar os interesses da União", disse o porta-voz do executivo comunitário para a área comercial, Olof Gill.
Lembrando que a UE e os Estados Unidos "concluíram um importante acordo comercial no ano passado", o porta-voz assinalou que Bruxelas "espera que os Estados Unidos honrem plenamente os compromissos assumidos na declaração conjunta" com vista a "relações comerciais transatlânticas estáveis, previsíveis e mutuamente benéficas para o benefício de todos".
"O comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos é profundamente integrado e mutuamente benéfico. Salvaguardar esta relação, especialmente num momento de perturbação global, é mais importante do que nunca e claramente do interesse de ambas as partes", exortou ainda Olof Gill.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reiterou na terça-feira que está contra a guerra no Médio Oriente iniciada com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão e que não vai mudar de posição "simplesmente por medo a represálias".
Sánchez fez esta declaração sobre a posição de Espanha sobre o conflito entre Estados Unidos, Israel e o Irão depois de críticas e ameaças ao governo espanhol por parte do Presidente norte-americano, Donald Trump.
"Espanha tem sido terrível. Vamos cortar todo o comércio com Espanha. Não queremos ter nada a ver com Espanha", afirmou Trump.
Espanha rejeitou a utilização por parte dos EUA das bases militares de Rota e Morón, no sul do país, para as operações relacionadas com os ataques ao Irão lançados no sábado, o que levou os norte-americanos a deslocar os aviões cisterna de abastecimento de outras aeronaves que tinha em território espanhol para bases noutros países da Europa.
Além da postura de Espanha sobre os ataques ao Irão, Trump voltou a criticar também a decisão do Governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, de recusar subir para 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional o orçamento dedicado à defesa, como os restantes países-membros da NATO.
Em reposta, Sánchez sublinhou que Espanha é "membro de pleno direito da União Europeia, da NATO e da comunidade internacional" e que é preciso "exigir aos Estados Unidos, ao Irão e a Israel que parem antes que seja demasiado tarde".
O primeiro-ministro espanhol apelou assim ao cesse imediato "das hostilidades e a uma resolução diplomática" do conflito.