Os cães e os gatos fazem parte da vida de muitas famílias e, tal como qualquer outro membro do agregado, dependem de cuidados regulares para manterem uma vida saudável e equilibrada. Alimentação adequada, exercício físico, acompanhamento veterinário e prevenção de doenças são alguns dos pilares essenciais do bem-estar dos patudos.
Muitas das doenças que afectam os animais de companhia podem evoluir de forma silenciosa, sem sinais evidentes numa fase inicial. Por essa razão, a vigilância e a prevenção assumem um papel fundamental na protecção da saúde dos amigos de quatro patas ao longo da sua vida.
Na rubrica 'Explicador' de hoje conheça a dirofilariose, vulgarmente denominada doença do verme do coração.
A dirofilariose, popularmente conhecida como doença do verme do coração, é uma doença parasitária que afecta sobretudo cães, podendo também ocorrer em gatos e, raramente, em humanos. Transmitida por mosquitos, a infecção pode provocar danos graves no coração e nos pulmões dos animais se não for detectada e tratada a tempo.
Embora exista tratamento, este pode ser complexo e prolongado. Por isso, a prevenção continua a ser considerada a forma mais eficaz de proteger os animais de companhia.
O que é a dirofilariose?
A dirofilariose é causada por parasitas do género dirofilaria, sendo a espécie 'dirofilaria immitis' a mais relevante em medicina veterinária. Estes parasitas pertencem ao grupo dos nematódeos, um tipo de verme microscópico que pode infectar diferentes espécies animais.
Nos cães infectados, os vermes adultos instalam-se principalmente no coração e nas artérias pulmonares, onde podem crescer até cerca de 20 a 30 centímetros de comprimento. A presença destes parasitas interfere com a circulação sanguínea e pode provocar alterações progressivas no sistema cardiovascular e respiratório.
Em Portugal, estima-se que cerca de 12% dos cães estejam infectados, sendo a doença considerada endémica em algumas regiões, com maior incidência, nomeadamente no Algarve, no Ribatejo e na Madeira.
Como ocorre a transmissão?
A dirofilariose é transmitida através da picada de mosquitos infectados.
O ciclo da doença funciona da seguinte forma: Um mosquito pica um cão infectado e ingere larvas microscópicas chamadas microfilárias. No interior do mosquito, estas larvas desenvolvem-se até um estado infeccioso. Quando o mosquito volta a picar outro animal, transmite essas larvas. No novo hospedeiro, as larvas migram pelo organismo durante vários meses até chegarem ao coração e às artérias pulmonares, onde se tornam vermes adultos.
O ciclo é relativamente lento, podendo o desenvolvimento completo do parasita demorar entre seis e nove meses.
Em Portugal, o pico de transmissão ocorre habitualmente durante os meses mais quentes, sobretudo em Julho e Agosto, quando há maior actividade de mosquitos.
Quais são os sintomas nos cães?
Muitos cães infectados podem não apresentar sintomas numa fase inicial, o que dificulta a detecção precoce da doença. Quando surgem sinais clínicos, estes tendem a desenvolver-se de forma gradual e podem incluir tosse persistente ou crónica; dificuldade respiratória ou falta de ar; cansaço ou intolerância ao exercício; perda de apetite; perda de peso; ruídos pulmonares anormais; acumulação de líquidos no abdómen (ascite); desmaios ou colapso em situações mais graves.
À medida que a doença progride, podem surgir lesões pulmonares e insuficiência cardíaca, podendo a infecção tornar-se potencialmente fatal se não for tratada.
Nos gatos, os sintomas tendem a ser mais subtis e muitas vezes confundidos com outras doenças respiratórias.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da dirofilariose pode ser realizado através de diferentes exames veterinários, nomeadamente análises ao sangue, que permitem detectar antigénios do parasita ou microfilárias; microscopia, para observação directa das larvas; radiografia torácica, para avaliar alterações pulmonares e/ou ecografia cardíaca, que pode revelar a presença de vermes adultos no coração.
Em muitos casos, o rastreio pode ser feito através de um teste rápido com uma pequena amostra de sangue.
Existe tratamento?
Sim, existe tratamento para a dirofilariose canina. No entanto, este é geralmente complexo, prolongado e requer acompanhamento veterinário rigoroso.
O tratamento pode incluir medicamentos antiparasitários para eliminar as larvas e os vermes adultos, terapêutica de suporte para controlar os sintomas, antibióticos para combater bactérias associadas aos parasitas, e, em alguns casos, a remoção cirúrgica dos vermes.
Durante o tratamento, é frequentemente necessário reduzir drasticamente a actividade física do animal, uma vez que a morte dos parasitas pode provocar complicações, como embolias pulmonares.
Mesmo após a eliminação dos parasitas, alguns cães podem ficar com lesões pulmonares permanentes, dependendo da gravidade da infecção.
A dirofilariose pode afectar humanos?
A dirofilariose é considerada uma doença zoonótica, ou seja, pode ocasionalmente infectar humanos.
A transmissão também ocorre através da picada de mosquitos. No entanto, o parasita não consegue completar o seu ciclo de vida no organismo humano, pelo que a infecção é geralmente limitada.
Em alguns casos, as larvas podem chegar aos pulmões e formar pequenos nódulos, que podem ser detectados numa radiografia torácica. Normalmente, a infecção resolve-se espontaneamente e não requer tratamento.
Como prevenir a dirofilariose?
A prevenção é considerada a forma mais eficaz de proteger os animais contra a doença. Entre as medidas mais recomendadas encontram-se a administração regular de medicação preventiva antiparasitária (mensal ou anual), a utilização de repelentes contra mosquitos, como coleiras, pipetas ou sprays, a realização de testes de rastreio periódicos e reduzir a exposição do animal a insectos, especialmente durante os meses mais quentes.
Como o tratamento pode ser exigente e dispendioso, a prevenção é geralmente mais simples, segura e eficaz.
Uma doença silenciosa, mas prevenível
A dirofilariose pode evoluir lentamente e passar despercebida durante meses e, quando não é diagnosticada ou tratada a tempo, pode provocar danos graves no coração e nos pulmões dos animais. Por esse motivo, o acompanhamento veterinário regular e a prevenção antiparasitária são fundamentais para reduzir o risco de infecção e proteger a saúde dos animais de companhia.