Islândia prepara-se contra ameaças híbridas com acordo com UE
A ministra dos Negócios Estrangeiros islandesa afirmou ontem em Lisboa que o acordo de segurança e defesa assinado na semana passada com a União Europeia permitirá à Islândia responder a ameaças híbridas.
"A União Europeia está na linha da frente no que toca ao conhecimento sobre como enfrentar ataques híbridos e ameaças híbridas, e vemos isto como uma abertura para participar em todo o tipo de projetos relacionados com ameaças híbridas e defesa", destacou a ministra dos Negócios Estrangeiros e da Defesa islandesa, Porgerdur Katrín Gunnarsdóttir, numa conferência de imprensa no Palácio das necessidades após o encontro com o chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Rangel.
Bruxelas e Reiquiavique assinaram na semana passada um acordo de parceria que prevê a criação de um diálogo anual específico sobre segurança e defesa e o reforço da cooperação em áreas como o apoio à Ucrânia, Ártico, segurança marítima e questões cibernéticas.
"Neste momento, é vital para nós alargar a nossa colaboração a outros países com ideias semelhantes no que diz respeito à defesa e segurança", destacou a ministra, recordando acordos semelhantes entre a UE e o Reino Unido, Noruega ou Canadá.
A Islândia não possui forças armadas e a defesa está a cargo da NATO - de que é membro fundador, como Portugal - e dos Estados Unidos, no âmbito de um acordo de 1951.
Além disso, a ilha no norte do oceano Atlântico tem "uma localização estrategicamente muito importante tanto para os aliados no Ocidente como também no Leste na Europa", referiu Porgerdur Katrín Gunnarsdóttir.
"Vemos também, devido à turbulência geopolítica, que nós, como outras nações, temos de reforçar tanto os nossos acordos bilaterais relativos à defesa e segurança, como também acordos como este que fizemos com a União Europeia", justificou, referindo que "países com ideias semelhantes estão a mostrar uma frente mais unida no que diz respeito à defesa e segurança".
Durante o encontro, os dois ministros reiteraram a importância de não esquecer o apoio à Ucrânia, que consideraram uma questão "existencial para a Europa", com a ministra islandesa a defender que o continente "deve ter um lugar na mesa das negociações" para uma resolução do conflito.
Os dois governantes destacaram ainda as excelentes relações bilaterais, mas "há sempre espaço para melhorar, principalmente em termos económicos e culturais", comentou Paulo Rangel.