Drones que danificaram base militar britânica foram lançados a partir do Líbano
Os drones iranianos que na segunda-feira provocaram danos ligeiros na base militar britânica de Akrotiri, no sudoeste de Chipre, foram lançados a partir do Líbano, segundo fontes do Governo cipriota citadas pela agência noticiosa CNA.
Os aparelhos não tripulados foram lançados pelo grupo integrista libanês Hezbollah, aliado do Irão, e não puderam ser detetados nem intercetados atempadamente devido à sua reduzida dimensão e à baixa altitude a que voavam, indicaram as fontes.
As fontes governamentais cipriotas precisaram, no entanto, que não existem indícios de uma tentativa de ataque a infraestruturas de Chipre e sublinharam que a proteção destas constitui a principal prioridade do Governo.
Por razões preventivas, Nicósia mantém cooperação militar com a Grécia e também com outros países, cuja participação será anunciada assim que estejam concluídos os acordos atualmente em discussão.
O Governo grego anunciou hoje o envio de duas fragatas de guerra e dois caças F-16 para Chipre, para "contribuir de todas as formas possíveis" para a defesa da ilha.
"Após os ataques injustificados em território cipriota, a Grécia contribuirá de todas as formas possíveis para a defesa de Chipre durante a atual crise, com o objetivo de fazer face às ameaças e às ações ilegais no seu território", declarou o ministro da Defesa grego.
Nikos Dendias estará na terça-feira em Nicósia, onde será recebido pelo Presidente cipriota, Nikos Christodoulides, e pelo ministro da Defesa, Vasilis Palmas, para alcançar "uma melhor coordenação entre os dois países" durante a atual crise.
As fontes governamentais acrescentaram ainda que não se encontram em Chipre aviões de combate norte-americanos nem está previsto o seu destacamento.
Um porta-voz do Governo de Chipre indicara hoje que a França também está pronta para reforçar a segurança da ilha, um país neutro que integra a União Europeia (UE).
Após ser atingido pelos drones, o Governo de Chipre exigiu garantias de que as bases britânicas na ilha serão utilizadas apenas para fins humanitários, indicou o porta-voz do governo cipriota.
Em declarações aos jornalistas, Konstantinos Letymbiotis disse que Nicósia exige "garantias explícitas" de que a base "não será, em caso algum, utilizada para outros fins que não humanitários".
As autoridades britânicas confirmaram que um drone de ataque atingiu a pista da base aérea de Akrotiri, no domingo, mas não foram registados feridos e os danos foram mínimos.
Akrotiri é a principal base aérea do Reino Unido para operações no Médio Oriente e, nos últimos anos, tem sido usada por aviões militares britânicos em missões contra o grupo extremista Estado Islâmico na Síria e no Iraque e para atacar alvos dos huthis no Iémen.
O Reino Unido manteve duas bases aéreas em Chipre depois da independência da ilha do Mediterrâneo oriental do domínio colonial britânico em 1960.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".
O Irão já confirmou a morte do 'ayatollah' Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.