Bolieiro espera que relacionamento com Governo sobre Base das Lajes se mantenha
O presidente do Governo dos Açores disse hoje esperar que o relacionamento do seu executivo com o Governo da República se mantenha relativamente à informação sobre a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos.
"O que eu quis sinalizar, sobretudo, foi que o relacionamento com o Governo da República quanto à informação, que nós exigimos, e que é de bom-tom que se mantenha", disse hoje José Manuel Bolieiro aos jornalistas, na Madalena, na ilha do Pico, no início de uma visita estatutária de três dias.
O presidente do executivo açoriano de coligação PSD/CDS-PP/PPM foi questionado sobre a declaração política sem direito a perguntas, que proferiu no domingo, no Palácio de Sant'Ana, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
"A responsabilidade do sujeito do direito internacional [da Base das Lajes, na ilha Terceira] é o Estado português, não é o Governo Regional, mas, obviamente, que quero estar informado relativamente aquelas que são as responsabilidades do próprio Estado português na relação com o Governo dos Açores. E foi isso que eu quis sinalizar ontem [domingo]. E que, fruto, também, desta evolução [relacionada com o ataque ao Irão, no sábado], [...] quero ver reforçado", esclareceu.
Boleiro referiu, ainda, que desde sábado "houve uma alteração significativa" na utilização da base militar açoriana pelos Estados Unidos e foi isso que assegurou, quer com o gabinete do primeiro-ministro, quer diretamente com o ministro dos Negócios estrangeiros.
O presidente do Governo dos Açores afirmou no domingo que o Acordo Bilateral de Defesa e Cooperação entre Portugal e os Estados Unidos "foi cumprido" e que a importância dos Açores "foi reconfirmada" com o recente ataque ao Irão.
Numa declaração política sem direito a perguntas dos jornalistas, José Manuel Bolieiro referiu que "no atual contexto internacional de guerra" o Governo dos Açores e o Governo "mantiveram contactos e troca de informação" através do primeiro-ministro, ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do executivo açoriano.
De acordo com o líder do executivo açoriano, os Açores e a sua posição geográfica "são um ativo, cuja centralidade estratégica para a segurança e defesa atlântica e ocidental, no plano nacional, no quadro da NATO e das relações com países aliados de Portugal, está agora reconfirmada pela atual conjuntura internacional".
Associando-se aos termos do comunicado do Governo, Bolieiro afirmou que, com a alteração do contexto desde sábado, ficou estabelecido entre ambos os governos a "intensificação dos contactos para informação e acompanhamento da evolução da situação".
No comunicado divulgado pelo executivo foi também referido que o Governo Regional dos Açores "defende o interesse regional e nacional e a promoção da segurança do povo açoriano".
"Com o contexto que, a partir de ontem [sábado], se alterou, ficou estabelecido entre o Governo de Portugal e o Governo Regional dos Açores a intensificação dos contactos para informação e acompanhamento da evolução da situação", concluiu.
No sábado, cinco aviões reabastecedores KC-46 Pegasus da Força Aérea norte-americana levantaram voo da Base das Lajes, na ilha Terceira, segundo constatou a Lusa no local.
Desde o dia 18 de fevereiro que se intensificou o movimento de aeronaves norte-americanas na Base das Lajes.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano" e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Irão já confirmou a morte do 'ayatollah' Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, indicou a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O exército dos Estados Unidos confirmou a morte de três militares norte-americanos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.