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Guerra no Irão Mundo

EUA admitem que regime iraniano está enfraquecido mas mantém-se "intacto"

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Foto EPA

A diretora dos serviços secretos dos Estados Unidos (EUA), Tulsi Gabbard, disse hoje que o regime iraniano permanece "intacto", apesar de significativamente enfraquecido pela ofensiva conjunta de Washington e Israel, em curso desde 28 de fevereiro.

Durante uma audição no Senado (câmara alta do Congresso dos EUA), Tulsi Gabbard informou que os serviços de informações norte-americanos avaliam neste momento que o regime de Teerão sofreu reveses relevantes ao nível da liderança e das capacidades militares.

"Se este regime sobreviver, provavelmente procurará reconstruir as suas capacidades militares, incluindo mísseis e drones", afirmou Gabbard.

Já numa declaração escrita submetida ao Senado, citada pelas agências internacionais, a representante afirmou que o Irão não tentou retomar as suas atividades de enriquecimento nuclear desde os ataques conjuntos dos EUA e de Israel em junho de 2025, no âmbito do conflito entre Telavive e Teerão que durou 12 dias.

"Na sequência da operação 'Midnight Hammer' ('Martelo da Meia-Noite', em português), o programa de enriquecimento nuclear iraniano foi aniquilado. Desde então, não foi feito qualquer esforço para tentar restabelecer as suas capacidades de enriquecimento", referiu Tulsi Gabbard, contrariando o Presidente norte-americano, Donald Trump, quanto aos objetivos da guerra em curso contra Teerão.

"As entradas das instalações subterrâneas que foram bombardeadas foram cobertas de terra e tapadas com cimento", acrescentou a representante, indicando que tal dificulta uma eventual reativação no curto prazo.

Na terça-feira, o diretor do Centro Contra o Terrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, apresentou a demissão ao Presidente, Donald Trump, em protesto contra a guerra que o país e Israel travam contra o Irão.

"Não posso, em boa consciência, apoiar a guerra que se trava no Irão. O Irão não representava qualquer ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciámos esta guerra devido à pressão de Israel e do seu poderoso 'lobby' nos Estados Unidos (EUA)", escreveu Kent numa carta dirigida a Trump.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.

Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão pelo menos 1.348 mortos - entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 civis feridos.