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Guerra no Irão Mundo

MNE da UE discutem hoje eventual reforço de presença naval no Médio Oriente

Fotos Shutterstock
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Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) reúnem-se hoje em Bruxelas para discutir as consequências da guerra no Irão e decidir um eventual reforço da presença naval no Médio Oriente para proteger a circulação marítima na região.

A reunião começa às 10:15, em Bruxelas, e terá três pontos de agenda: a situação no Médio Oriente, a guerra na Ucrânia e a vizinhança sul da União Europeia.

No que se refere ao Médio Oriente, os chefes da diplomacia dos 27, incluindo de Portugal, vão abordar um eventual reforço da missão naval da UE "Aspides", que visa proteger navios comerciais em regiões como o Mar Vermelho, Golfo de Aden ou Oceano Índico Ocidental, mas que pode também ser mobilizada para o Estreito de Ormuz, paralisado atualmente pela guerra e por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Essa missão está atualmente impedida de recorrer ao uso de força militar para proteger os navios que escolta, uma vez que não tem um mandato executivo, que, para ser atribuído, precisa de ser aprovado por unanimidade pelos Estados-membros.

De acordo com um responsável europeu, os ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) vão discutir hoje se tencionam atribuir esse mandato, "muito desejado" pela indústria de transporte marítimo, porque permitiria que a missão dispusesse de meios para proteger efetivamente os navios.

Os governantes deverão também esclarecer se os seus respetivos Estados-membros estão disponíveis para contribuir com mais meios e capacidades para a missão "Aspides".

A França já disse estar a organizar uma missão "puramente defensiva" para reabrir o Estreito de Ormuz e disponibilizou-se para enviar 10 navios de guerra para a região.

Fora a missão "Aspides", os ministros vão também voltar a "partilhar uma análise da situação" no Médio Oriente, após já terem tido duas reuniões por videoconferência -- a segunda das quais com os homólogos dos países do Golfo -- desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, em 28 de fevereiro.

Entre os temas em discussão estará também a decisão da administração norte-americana de levantar temporariamente sanções ao petróleo russo já em trânsito, medida que o presidente do Conselho Europeu, António Costa, classificou como "muito preocupante".

Os impactos económicos e energéticos da guerra serão também abordados, assim como a situação no Líbano, alvo de bombardeamentos israelitas em retaliação a ataques do grupo xiita pró-iraniano Hezbollah.

Está igualmente prevista a formalização de novas sanções a 19 pessoas e entidades do regime iraniano, que foram anunciadas pela Alta Representante para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, na semana passada.

A guerra na Ucrânia voltará também a estar em cima da mesa, estando previsto, como já é habitual, que o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, se dirija aos seus homólogos europeus para explicar a situação no terreno e os efeitos do conflito no Médio Oriente para Kiev.

Depois de, na última reunião formal dos chefes das diplomacias da UE, a Hungria ter bloqueado a aprovação do 20.º pacote de sanções à Rússia, não é expectável que haja novidades sobre esse pacote em concreto, ainda que possam ser aplicadas novas sanções a Moscovo.

No que se refere ao ponto sobre a vizinhança sul da UE (Argélia, Egito, Israel, Jordânia, Líbano, Líbia, Marrocos, Palestina, Síria e Tunísia), a discussão servirá sobretudo para a atual presidência cipriota do Conselho da UE, que irá ter uma cimeira com esses países, atualizar os parceiros sobre a situação.

Fora desta agenda formal, está também previsto um almoço de trabalho dos ministros dos Negócios Estrangeiros com o homólogo da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, um encontro simbólico numa altura em que a UE procura diversificar as suas relações internacionais.