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Guerra no Irão Mundo

Teerão descarta negociações para terminar conflito

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Foto AFP

O Irão "não vê razões para negociar" com os Estados Unidos, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter indicado que Teerão deseja um acordo para terminar a guerra.

"Não vemos motivos para negociar com os americanos porque estávamos no meio de negociações com eles quando decidiram atacar-nos, e esta foi a segunda vez", declarou Araghchi em entrevista à cadeia televisiva CBS.

O ministro iraniano referia-se à operação norte-americana em junho de 2025 contra instalações do programa nuclear do Irão, em plenas negociações com Washington, uma situação que voltou a acontecer com o confito em curso, desencadeado pela ofensiva aérea israelo-americana em 28 de fevereiro, que voltou a interromper o diálogo com Teerão.

O Presidente norte-americano afastou de novo no sábado a possibilidade de um acordo com o Irão neste momento.

"O Irão quer fazer um acordo, e eu não quero, porque os termos do acordo ainda não são suficientemente bons", declarou, em entrevista à cadeia NBC.

Para Trump, os termos de um entendimento precisam ser "muito fortes" e incluir um compromisso de Teerão para abandonar as suas ambições nucleares.

Até à data, o líder da Casa Branca indicou vários prazos e objetivos para o fim da ofensiva militar.

Dois dias depois do início dos ataques, afirmou que poderia durar "quatro ou cinco semanas", na semana passada reduziu o prazo e disse que estava "prestes a terminar" e na sexta-feira respondeu que vai durar "o tempo que for preciso".

O porta-voz do exército israelita disse hoje que as Forças de Defesa de Israel preveem que a guerra com o Irão poderá durar mais três a seis semanas e que ainda há milhares de objetivos militares pela frente.

"Estamos preparados, em coordenação com os nossos aliados americanos, com planos que se estenderão pelo menos até ao feriado judaico da Páscoa [que começa em 01 de abril], daqui a cerca de três semanas. E temos planos mais ambiciosos que abrangem até mais três semanas", precisou Effie Defrin, em entrevista à cadeia televisiva CNN.

A entrevista surge no mesmo dia em que o chefe da diplomacia israelita, Gideon Saar, insistiu que a guerra contra o Irão vai durar até que sejam eliminadas as "ameaças existenciais" que o país representa para Israel.

O Irão rejeitou até agora qualquer discussão para estabelecer um cessar-fogo neste conflito que se alastrou a toda a região e reacendeu a guerra no Líbano, depois de o grupo xiita Hezbollah ter partido em apoio do seu aliado de Teerão e começado a atacar Israel.

Em resposta à ofensiva iniciada em 28 de fevereiro, o Irão lançou ataques com mísseis e drones contra Israel e contra os países vizinhos, visando em particular bases militares e outros interesses norte-americanos mas também infraestruturas económicas, sobretudo energéticas.

Ao mesmo tempo, colocou sob ameaça militar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial, fazendo disparar o preço do barril para cerca de cem dólares.

A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou hoje a utilização pelaprimeira vez do míssil balístico de combustível sólido Sejil, numa nova vaga de ataques contra alvos militares em Israel, segundo um comunicado divulgado pela agência de notícias Mehr.

O Sejil, com um alcance até 2.000 quilómetros, um comprimento de aproximadamente 20 metros, um peso de 23 toneladas e ogivas que variam entre os 500 e os 1.000 quilogramas, permite lançamentos rápidos a partir de plataformas móveis e foi testado com sucesso em 2009.

Este míssil estratégico foi utilizado na 54.ª vaga de ataques, juntamente com mísseis Khorramshahr (com ogivas de duas toneladas), Kheibar Shekan, Qadr e Emad, contra centros de gestão aérea, indústrias militares e concentrações de tropas israelitas, especificou-se no comunicado.

A força ideológica da teocracia iraniana ameaçou também assassinar o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmando que o "perseguirá implacavelmente" para atingir esse objectivo.

O Hezbollah reivindicou pelo seu lado a autoria de um ataque com um "míssil sofisticado" à base aérea de Palmachim, no centro de Israel.

Em comunicado, o grupo xiita que Israel acusa de concertar os seus ataques aéreos com Teerão, indicou que a base, a sul de Telavive, está situada a 140 quilómetros da fronteira com o Lbano.