Em defesa da democracia

O que não se deveria fazer com o Chega tendo em conta a prática política do PSD e do PS.

Os resultados das últimas presidências demonstraram que as forças políticas democráticas pretendem manter o extremismo longe do mais alto cargo da Nação, num exemplo claro de protecção do regime. O Presidente da República emerge, assim, como o elemento vital contra a deriva populista. Se Belém falhar com as linhas vermelhas que traçou, a Constituição deixará de ser o nosso escudo para passar a ser apenas uma recordação.

Contudo, o mesmo vigor não se observa em Luís Montenegro, que tem trilhado um caminho sinuoso face ao Chega. Em vez de o isolar sistematicamente, tem vindo a legitimar o partido, adoptando retórica e medidas - como na imigração ou no plano autárquico – que normalizam o radicalismo – O Primeiro-Ministro equivoca-se ao crer que a condescendência conquista votos; a História prova que dar respeitabilidade pública a forças antidemocráticas é o primeiro passo para a erosão das democracias por dentro, facilitando-lhes o assalto ao poder.

Infelizmente, o PS parece ceder ao mesmo jogo perigoso. O caso da autárquica de Coimbra deu palco a uma ex-militante do Chega, prova que os dois maiores partidos estão oferecer um espaço vital a um populismo autoritário que despreza as instituições e as tradições .

Carlos Oliveira