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Guerra no Irão Mundo

Centro petrolífero iraniano na ilha de Kharg entra na guerra

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Foto ShutterStock

A ilha de Kharg, alvo de ataques norte-americanos na sexta-feira, é um local petrolífero fundamental do Irão, responsável por cerca de 90% das exportações de crude do país.

Situada no norte do Golfo, a cerca de 30 quilómetros da costa e a quase 500 quilómetros do Estreito de Ormuz, Kharg tinha sido cuidadosamente evitada por Israel e pelos Estados Unidos desde o início da guerra.

O cenário mudou na sexta-feira, quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os ataques tinham "destruído completamente" alvos militares em Kharg.

"Optei por não destruir as infraestruturas petrolíferas da ilha", afirmou Trump na rede social de que é proprietário, embora ameaçando fazê-lo se o Irão continuar a impedir a passagem livre de navios no Estreito de Ormuz.

Nenhuma infraestrutura petrolífera da ilha foi danificada, informou posteriormente a agência de notícias iraniana Fars, citada pela francesa AFP.

As autoridades iranianas contabilizaram 15 ataques que visaram "as defesas do exército, a base naval Joshan, a torre de controlo do aeroporto e o hangar de helicópteros da Continental Shelf Oil Company".

Com apenas cerca de 24 quilómetros quadrados, Kharg abriga o maior terminal de exportação de petróleo bruto do Irão.

Assegura cerca de 90% das exportações de crude do país asiático, segundo uma nota recente do banco norte-americano JP Morgan.

A pequena ilha conheceu um forte desenvolvimento durante o auge petrolífero do Irão nas décadas de 1960 e 1970, dado que grande parte do litoral era pouco profundo para receber superpetroleiros.

O Irão procurou diversificar as capacidades de exportação ao abrir o terminal de Jask (sul), no Golfo de Omã, em 2021, fora do estrangulamento do Estreito de Ormuz.

Contudo, Kharg continua a ser "uma pedra basilar da economia iraniana e uma importante fonte de rendimento para os Guardas da Revolução", de acordo com o JP Morgan, referindo-se ao exército ideológico da República Islâmica.

Nos últimos dias, meios de comunicação norte-americanos deram conta de especulações intensas de que forças terrestres dos Estados Unidos poderiam estar a ser preparadas para um destacamento, especificamente em Kharg.

Mas tal operação terrestre seria "muito difícil" de realizar numa ilha inteiramente coberta por infraestruturas petrolíferas, oleodutos e reservatórios, admitiu à AFP o investigador Farzin Nadimi, do Washington Institute for Near East Policy.

O Irão, quarto produtor de crude na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), alertou que qualquer ataque contra as suas infraestruturas petrolíferas será alvo de uma resposta "olho por olho".

Teerão ameaçou hoje "reduzir a cinzas" as infraestruturas petrolíferas ligadas aos Estados Unidos no Médio Oriente e, num primeiro sinal, avisou hoje a população dos Emirados Árabes Unidos para se afastar dos portos do país.

Pouco depois, a AFP e a norte-americana AP deram conta de um incêndio perto do porto de Fujairah, que as autoridades dos Emirados disseram ter sido provocado pelos destroços do abate de um drone.

Não foram registadas vítimas no ataque, informou o gabinete de imprensa de Fujairah, acrescentando que os bombeiros estavam a combater as chamas.

A guerra em curso no Médio Oriente foi desencadeada por uma ofensiva de grande escala lançada contra o Irão em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel.

O Irão respondeu com ataques contra os países vizinhos e o conflito já causou mais de dois mil mortos, maioritariamente iranianos.

A guerra provocou também uma crise nos mercados petrolíferos, com o preço do barril de crude a passar a barreira psicológica dos 100 dólares.