EUA oferecem recompensa de 10 milhões de dólares por Khamenei e outros líderes iranianos
Os Estados Unidos (EUA) estão a oferecer uma recompensa de 10 milhões de dólares (8,7 milhões de euros) por informações sobre a localização de altos dirigentes iranianos, incluindo o líder supremo, Mojtaba Khamenei, anunciou hoje o Departamento de Estado.
Em comunicado, a diplomacia de Washington especificou que a recompensa visa em particular a cúpula da Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irão, mas também Mojtaba Khamenei e o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani.
O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, e o ministro das Informações e Segurança, Esmail Khatib, também estão entre as dez pessoas da lista do Departamento de Estado.
"Estes indivíduos comandam e dirigem vários elementos da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, que planeia, organiza e realiza atos terroristas em todo o mundo", justificou a entidade norte-americana.
O Departamento de Estado incentiva os potenciais interessados a enviarem informações através do Signal, entre outros canais, referindo que podem vir a beneficiar de "uma reinstalação e uma recompensa".
A oferta surge ao fim de quase duas semanas desde o início da ofensiva aérea dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, que matou, logo no primeiro dia dos bombardeamentos em Teerão, o líder supremo, Ali Khamenei.
O seu filho Mojtaba Khamenei ficou ferido no mesmo ataque segundo vários relatos de personalidades iranianas, e não tem sido visto em público desde a sua escolha para novo líder supremo.
A sua primeira mensagem à nação foi lida na quinta-feira na televisão iraniana por uma apresentadora.
Segundo o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, Mojtaba Khamenei ficou ferido e provavelmente desfigurado nos ataques que mataram o pai no início da guerra.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, desqualificou o novo líder supremo, tratando-o como um "fantoche da Guarda Revolucionária" que não pode aparecer em público.
Além de Ali Khamenei, os Estados Unidos e Israel alegam ter morto vários comandantes da Guarda Revolucionária desde o início das operações militares.
Mojtaba Khamenei não esteve também entre os altos dirigentes iranianos que hoje desafiaram as ameaças israelitas e norte-americanas e marcharam pelo centro de Teerão, apesar de uma explosão perto do percurso, que não interrompeu o evento.
Entre os presentes estavam o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, o chefe do sistema judiciário, Gholam-Hossein Mohseni Ejei, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi.
Segundo os meios de comunicação social iranianos, Pezeshkian marchou durante parte do percurso sem guarda-costas, entoando 'slogans' como "Morte a Israel" e "Morte à América".
"Devemos permanecer com o povo e estar ao lado do povo até ao nosso último suspiro e até ao nosso último momento, perante a arrogância e aqueles que agem como faraós", disse Gholam-Hossein Mohseni Ejei, segundo a agência de notícias Tasnim.
Para Ali Larijani, o ataque na rota da marcha "demonstra o seu desespero".
O alto responsável pela segurança da República Islâmica criticou ainda duramente o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmando que "não é suficientemente inteligente para perceber que o povo iraniano é maduro, forte e determinado" e que, quanto maior for a pressão dos Estados Unidos, "maior será a determinação".
Os manifestantes, na maioria apoiantes do regime teocrático, prosseguiram até ao final da marcha num dia simbólico para o sistema clerical, uma vez que o Dia de Quds foi instituído em 1979 pelo seu fundador, Ruhollah Khomeini, em apoio da Palestina.