Presidente de Israel avisa Trump que dignidade do país "não está à venda"
O Presidente israelita afastou hoje qualquer "pressão ou ruído" sobre um perdão do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, que enfrenta acusações de corrupção, e avisou o homólogo norte-americano, Donald Trump, que a dignidade de Israel "não está à venda".
Durante uma visita a uma cidade no norte de Israel afetada por um míssil iraniano, Isaac Herzog reagiu às recentes declarações de Donald Trump que o acusou de ser "um sujeito fraco e patético" e que não precisa de "qualquer opinião jurídica" para decidir sobre o perdão de Netanyahu.
"Quero que Bibi [referindo-se ao chefe do Governo israelita] se concentre na guerra, não em coisas estúpidas", disse o líder norte-americano, tendo o próprio Netanyahu comentado na quinta-feira que seria mais correto acabar com o "circo absurdo" do seu julgamento, no qual é acusado de fraude, suborno e abuso de confiança.
Um eventual indulto está nas mãos de Herzog, que hoje reafirmou que, enquanto Presidente, é "soberano e independente" e que, com as suas decisões, não procura a sua própria honra, mas a do Estado.
"Há uma diferença entre as disputas políticas e jurídicas", disse o chefe de Estado, aludindo a uma "flagrante afronta aos símbolos da governação e da soberania do Estado de Israel" nos últimos anos, acrescentando: "A nossa honra, a nossa independência e a nossa soberania não estão à venda".
O Presidente israelita indicou ainda que, quando receber o pedido de perdão, irá analisá-lo "da forma mais independente e livre possível, sem pressão ou ruído de qualquer fonte, com a consciência tranquila e as mãos limpas".
Benjamin Netanyahu solicitou formalmente o perdão em 30 de novembro e recebeu repetidamente o apoio do seu aliado da Casa Branca, com quem lançou uma ofensiva aérea conjunta contra o Irão em 28 de fevereiro.
Antes da guerra, o primeiro-ministro israelita comparecia em tribunal três vezes por semana neste julgamento que, desde o seu início em 2024, foi tendo sessões repetidamente adiadas com a justificação de reuniões diplomáticas de alto nível ou assuntos relacionados com a ofensiva na Faixa de Gaza.
Netanyahu tem três processos em aberto, sendo o mais grave o que diz respeito a alegados favores concedidos ao empresário Shaul Elovich, que controlava a empresa de telecomunicações Bezeq e o site Walla News, em troca de uma exposição mediática favorável.
Em sua defesa, considera-se vítima de uma "caça às bruxas" e de uma conspiração do "Estado profundo", ao tornar-se no primeiro chefe do Governo em funções na história de Israel a ser acusado.