Medicina do Estilo de Vida para “prevenir, tratar e reverter doenças crónicas não transmissíveis”
A médica Luísa Rodrigues de Freitas garante que “recuperar a saúde não significa ter de gastar imenso dinheiro em consultas extravagantes”
Um diagnóstico de esclerose múltipla, levou Luísa Rodrigues de Freitas a ter de mudar de especialidade, após ter completado o primeiro ano de internato de Medicina Interna, tendo realizado durante o tempo de transição para Patología Clínica, uma formação em Medicina do Estilo de Vida, que acabou por impactar de forma directa a sua vida.
Segundo a profissional de saúde, a Medicina do Estilo de Vida acaba por ser uma área da medicina que intervém nos hábitos diários do utente, com o objectivo de prevenir, tratar e, até mesmo, reverter doenças crónicas não transmissíveis.
“Avaliamos o indivíduo num todo, depois definimos planos de acção, com o objetivo de instituir medidas e mudanças que sejam sustentáveis”, apontou, tendo explicado que se divide em seis pilares: alimentação, actividade física, gestão do stress, saúde do sono, evicção de substâncias tóxicas, tabaco, álcool e outras drogas e relações sociais.
Em 2023, começou a colocar em prática o que aprendeu com a Medicina do Estilo de Vida, área que é certificada internacionalmente pela ‘Internacional Board of Lifestyle Medicine’ o, que segundo a própria, lhe permitiu recuperar a sua saúde e motivou a criação de um projecto.
Com o ‘Recupera a tua saúde’ já organizou workshops e possui um e-book chamado ‘Guia Prático para Recuperar a Sua Saúde Na Cozinha’, que surgiu do seu gosto em inventar receitas que permitam “mostrar às pessoas como é que elas podem fazer receitas gordas, sem gordura e poder comer tudo à vontade.”
Na sua página na rede social Instagram, que possui o mesmo nome do seu projecto, conta com quase 11 mil seguidores, que acompanham as várias dicas e conselhos para melhorar a qualidade de vida, prevenindo e tratando diversas patologias.
Um jovem de 25 anos, que não tem uma dieta muito boa, que de vez em quando sai à noite e bebe, fuma diariamente, faz pouco a nada de exercício físico, com esta idade não é normal que ele tenha manifestações das doenças crónicas não transmissíveis, mas, certamente, aos 40 e aos 50 anos vai começar a sentir estas mazelas. Portanto, tudo o que fazemos diariamente e nos dias de hoje, mesmo sem efeitos a curto prazo, vão ter impacto no nosso futuro. Luísa Rodrigues de Freitas
Questionada sobre que doenças podem ser prevenidas ou melhoradas através da Medicina do Estilo de Vida, Luísa Rodrigues de Freitas referiu que a esmagadora maioria das doenças crónicas não transmissíveis, ou seja, “cerca de 80% das patologias que acabam por aparecer em contexto de consultas de cuidados primários”.
“Algumas destas doenças são, por exemplo, obesidade, diabetes, hipertensão, colesterol alto, doenças cardiovasculares, enfartes, AVC, entre muitas outras. O que nós sabemos é que qualquer utente com qualquer patologia, beneficia sempre de intervenções no estilo de vida”, apontou.
A médica fez questão de frisar que esta área não serve apenas para prevenir, tendo igual relevância no controlo efectivo da doença.
O que eu noto em consultas, é que utentes que fazem alterações, passados alguns meses, veem de facto alterações analíticas, ou seja, alterações nas análises, que mostram efectivamente melhorias, o que leva, por vezes, a ser possível diminuir a dose dos fármacos que tomam ou até mesmo suspender a sua toma.
Fique a saber que pequenas mudanças podem ter um grande impacto na saúde, que dicas práticas deixou a especialista, na entrevista disponível no canal do DIÁRIO, no YouTube.
“Os hidratos de carbono engordam”, “precisamos de comer muita proteína”, “esta doença é de família, toda a gente tem isto”. Será mesmo verdade? Assista para ficar a saber.